A decisão do maestro Daniel Barenboim de interpretar em Jerusalém este sábado uma obra de Richard Wagner, no Festival de Israel, provocou grande polêmica no país ontem. O músico alemão (1813-1883) atacou abertamente os judeus em seu escrito ‘‘O judaísmo na música’’ (1850).
O nome de Wagner, vinculado à criação do Festival de Bayreuth, tem sido associado estreitamente ao nazismo, ainda que o compositor tenha morrido 50 anos antes da chegada de Hitler ao poder.
No final de seu concerto, dirigindo a orquestra Staatskapelle de Berlim, Barenboim apresentou um fragmento de ‘‘Tristão e Isolda’’ de Wagner, ignorando a decisão da direção do Festival que não quis colocar Wagner em seu programa oficial.
Barenboim pediu aos cerca de 3 mil assistentes que aceitassem sua escolha, ao mesmo tempo em que informava que se tratava de ‘‘uma iniciativa particular que nada tinha a ver com o festival’’. A polêmica estava iniciada. Segundo testemunhas oculares, quase um quarto do público se retirou da sala.
Alguns gritaram: ‘‘Esta música era tocada quando um milhão de judeus eram enviados às câmaras de gas’’. Por causa do tumulto, Barenboim anunciou que não iria mais tocar Wagner, mas a maioria dos espectadores se levantou e o aplaudiu, pedindo que fosse adiante, e ele tocou Wagner em Jerusalém.
O deputado do Partido Nacional Religioso, Shaul Ayalom, criticou violentamente a iniciativa na rádio pública ontem, chamando de ‘‘humilhante bofetada inflingida às vítimas do holocausto’’.
Durante mais de 50 anos, houve uma proibição informal à execução em público das obras de Wagner em Israel, apesar de ocorrerem ocasionais difusões de suas músicas na rádio estatal israelense.
Esta, porém, foi a primeira vez que uma obra do compositor alemão foi interpretada em Jerusalém num Festival de Israel, a mais importante manifestação cultural do país.

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