Mães superalimentam os filhos
Arquivo FolhaQUILOS A MAISEstudo aponta que entre 50% e 70% das crianças obesas se tornarão adultos obesos e, na maioria dos casos de obesidade infantil, a família teve grande participação seja por omissão ou por ação.‘‘Só é gordo quem a mãe quer.’’ A frase pode parecer simples adaptação de um livro conhecido, mas tem muito de verdade, dizem os especialistas. Segundo estudos internacionais, entre 50% e 70% das crianças obesas serão adultos obesos. E em pelo menos 70% dos casos de obesidade infantil a família participou, por ação ou omissão. ‘‘Na maioria das vezes é a mãe quem vai desencadear essa voracidade que o obeso carregará pela vida afora’’, diz Mara Cristina de Souza, da Divisão de Psicologia do Hospital das Clínicas.
A intenção dessa mãe, no entanto, era apenas acalmar o filho e se assegurar de que ele estava bem alimentado. Isso explica, em parte, por que quase um quarto das crianças e pré-adolescentes está acima do peso. Mulheres ansiosas e inseguras quanto à maternidade compõem o perfil dessas mães ‘superprovedoras’.
‘‘Barriguinha cheia significa a felicidade do bebê e da mamãe’’, diz a pediatra Esther Laudanna, que assessora a Fundação de Gastroenterologia e Nutrição de São Paulo. ‘‘A mãe oferece comida e o bebê se acalma. Esse mecanismo, além de engordar a criança, empobrece a relação mãe e filho.’’
Alimentado, o bebê não incomoda, não requisita a mãe para outras tarefas. O não-aleitamento materno - por qualquer razão - é um dos fatores que contribuem para essa relação ‘alimentadora’, diz o professor Fábio Ancona Lopez, titular de nutrição do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo.
‘‘Quando é amamentada, a criança mama quando tem vontade, mama apenas o que quer. Quando a mãe dá o alimento, a tendência é que ofereça sempre mais.’’ Esse ‘distúrbio da percepção materna’ vem da própria educação, pois os amigos e avós também pensam assim.
‘‘Todos tendem a medir a qualidade da mãe pelo choro do bebê. Quanto mais gordinho e menos chorão, melhor ele será.’’ A pediatra diz que a criança gordinha faz sucesso em casa até 6 anos. ‘‘Depois começam a aparecer as dificuldades.’’

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