Mãe de siamesas se arrepende de não ter abortado
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quinta-feira, 25 de maio de 2000
France Presse De Roma 
A peruana Milagros Pascual Juárez, de 22 anos, mãe das gêmeas siamesas que serão separadas na segunda-feira em uma cirurgia em que uma das duas morrerá, diz que se arrepende de não ter feito aborto.
Quando soube que eram siamesas estava no quinto mês de gravidez. Uma amiga me perguntou por que não abortava. Não quis, as sentia dentro, não queria que morressem antes de nascer. Agora, entretanto, penso diferente..., disse a jovem mãe de um menino de quatro anos.
Milagros chegou à Itália no sábado, para tentar salvar as duas filhas, que têm em comum o tórax, o fígado e o coração. Mas depois de muitos estudos, os médicos concluíram que juntas as gêmeas não sobreviveriam e que na cirurgia de separação uma das duas teria que morrer.
Janet Milagros (a mais fraca) terá que morrer porque é a única maneira de salvar Marta. Se uma sobrevive, a outra a acompanhará para sempre, diz Milagros, que dedica mais carinho e tempo à filha que está para perder, depois de autorizar, numa escolha de Sofia, a cirurgia.
Agora vejo a luz, sei que minha filha terá uma vida feliz. Nossa vida deve continuar porque Deus quer assim, diz Milagros, que recebeu ontem a visita da embaixadora do Peru, Ana Maria Deustua e do vice-ministro de Relações Exteriores Franco Danielli.
O caso das gêmeas provocou um intenso debate ético e moral na Itália. Diversos dignitários da Igreja Católica, muito influente na Itália, consideraram que a decisão de salvar só uma das crianças era válida, já que não era possível salvar as duas.


