São Paulo - O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prometeu ontem lealdade e continuidade ao presidente Hugo Chávez, em discurso emocionado durante o funeral do mandatário, na Academia Militar de Caracas.
Maduro assumiu o controle do país na noite de ontem. Ele permanecerá no cargo pelo menos até a posse do presidente eleito no pleito que deverá acontecer até abril. A previsão é que ele seja um dos candidatos.
Durante os quase 40 minutos de discurso, Maduro ficou emocionado e embargou a voz em diversas ocasiões ao se referir a Chávez e à sua morte, que chamou de "grande tragédia do século 21". Alguns momentos do pronunciamento foram interrompidos por aplausos e gritos de "Chávez vive".
Ele disse que todos os presentes sentiam uma imensa dor com a sua morte. Fazendo referência a Simón Bolívar e outros líderes históricos venezuelanos, que foram traídos, Maduro prometeu lealdade a Chávez e ao projeto de governo.
"Cumpriu-se a palavra de Fidel (Castro), aqui estamos de pé, leais frente ao senhor. Quebramos o malefício da traição da pátria e quebraremos o malefício da derrota e da regressão", disse, enquanto os aliados do governo, que estavam atrás de Maduro, se levantaram.
O herdeiro político do mandatário disse que não existiu líder político mais vilipendiado que Chávez na Venezuela. "Nunca em 200 anos se mentiu tanto sobre um presidente, nem aqui nem no mundo. Aqui está vivo para sempre, para todos os tempos futuros. Não poderão com a gente."
Em tom messiânico, Maduro disse que Chávez ensinou a seus seguidores "o amor e o perdão" e, por isso, perdoou todos os seus detratores. Ele também ressaltou o papel de Chávez quando comentou sobre a Constituição, aprovada em 1999.
"Tudo o que somos hoje está aqui, aqui está a carta da pátria, a carta de todos. Esse texto será reconhecido por todos. Esta carta é nosso guia de revolução", destacou.

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