Caracas - Em meio aos rumores sobre o agravamento do estado de saúde do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o presidente interino do país, Nicolás Maduro, acusou anteontem a oposição de liderar um movimento nacional de ‘‘intrigas’’ e uma ‘‘ofensiva’’. Para Maduro, a oposição planeja um ‘‘golpe de Estado’’ na Venezuela. Nos últimos dias, a oposição cobrou mais detalhes sobre o tratamento de Chávez, levantando suspeitas sobre as informações divulgadas.
  Maduro, apontado como o substitudo natural de Chávez, disse que jamais pensou em ocupar a Presidência da Venezuela. ‘‘Eu nunca tive ambições [para a Presidência]’’, ressaltou. Há cerca de um mês Chávez está internado em Cuba para o tratamento de combate ao câncer. Foi submetido à quarta cirurgia, em 18 meses, e apresentou complicações, como hemorragia e infecção respiratória.
  Maduro disse que está em curso uma campanha de ‘‘mentiras e intrigas’’, mas destacou que é necessário ‘‘respeitar os direitos de Chávez’’. ‘‘A todos da imprensa, [peço para que] fiquem com a verdade e não brinquem com fogo. Nós, que temos cargos públicos, vamos agir para garantir o respeito ao povo da Venezuela e ao comandante [Chávez], que tem direito à sua privacidade e recuperação. A Venezuela tem direito à paz. Permitam-se conter a desordem, manter a democracia e segurem os loucos."
  O presidente em exercício disse que há setores da oposição criando um ambiente para que ocorra um golpe contra Chávez, comandado pelo presidente da Assembleia Nacional (Parlamento), Diosdado Cabello.‘‘Isso é um absurdo total. Ramón Guillermo Aveledo [um dos principais líderes da oposição na Venezuela] pretende que nosso querido Diosdado Cabello e a Assembleia Nacional deem um golpe contra Chávez’’, disse.
  Cabello, que iria presidir ontem uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional para eleger o novo comando da Casa, é considerado um dos mais leais correligionários de Chávez. Nos últimos dias, esteve duas vezes em Havana, capital cubana, onde o presidente venezuelano está em tratamento para o combate ao câncer.
  Para Maduro, está em curso uma ‘‘guerra suja e psicológica’’ por intermédio das redes sociais para estimular dúvidas e incertezas sobre o estado de saúde de Chávez, que ‘‘continua com suas funções presidenciais’’. A afirmação do presidente interino é para descartar também qualquer dúvida sobre o comando de Chávez no poder.
  O vice-presidente e chanceler da Venezuela, no exercício da Presidência da República, condenou uma carta divulgada por Aveledo. Segundo ele, na carta o oposicionista ‘‘quer manipular o texto da Constituição’’ levando a população a acreditar que haverá um ôvazio político" no país.
  Os rumores ocorrem porque dentro de cinco dias, no próximo dia 10, está marcada a posse do presidente, reeleito em outubro. Pela Constitutição, se Chávez não assumir será empossado o presidente da Assembleia Nacional e convocadas eleições presidenciais em até 30 dias. Não há definição, por enquanto, se a data será alterada.

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