Genebra - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou ontem ante as Nações Unidas um "assédio permanente da ONU para tentar isolar a Venezuela", depois que o Alto Comissariado para os Direitos Humanos expressou suas preocupações sobre a imparcialidade da Justiça em seu país. "Não é a primeira vez que algum funcionário lança acusações imprudentes (...) contra a pátria de Simón Bolívar", declarou Maduro ante o Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, durante o encontro realizado a pedido de Caracas.
Antes do discurso de Maduro, o Conselho de Direitos Humanos da ONU falou de suas sérias preocupações em relação à "imparcialidade dos juízes e promotores" na Venezuela. "Um bom número de órgãos de direitos humanos da ONU (...) expressaram sérias preocupações sobre a independência do poder judicial na Venezuela, a imparcialidade dos juízes e promotores e as pressões que enfrentam quando se trata de casos politicamente sensíveis", indicou o Alto Comissário, Zeid Ra'ad Al Hussein.
Ele também expressou sua preocupação com a "intimidação, ameaças e ataques a jornalistas, defensores dos direitos humanos e advogados". Também considerou muito preocupante a declaração de um amplo estado de exceção em 24 municipalidades, o que suspende várias garantias aos direitos humanos.
O estado de exceção, em vigor desde 21 de agosto, é aplicado a várias localidades ao longo da fronteira com a Colômbia, em um momento em que os dois países tentam resolver um conflito diplomático em torno de contrabando.
Várias vítimas e opositores venezuelanos apresentaram na quarta-feira uma solicitação ante o Tribunal Penal Internacional (TPI) para que investigue Maduro e autoridades do país por "crimes contra a Humanidade".
Os Estados Unidos consideraram o discurso de Maduro "uma clara tentativa de utilizar o Conselho de Direitos Humanos da ONU para desviar a atenção das próprias ações do governo para restringir as liberdades fundamentais", declarou o porta-voz da embaixada americana, Paul Patin.
Em seu discurso Maduro também não comentou a prisão de dois sobrinhos de sua esposa, Cilia Flores, que compareceriam ontem ante um tribunal americano por tentar introduzir cocaína nos Estados Unidos.

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