Barcelona - A polícia isolou mais da metade dos 2,3 mil postos de votação na Catalunha, onde as autoridades separatistas pretendem realizar no domingo um referendo desautorizado pela Justiça espanhola - informou neste sábado (30) o representante do governo da Espanha nessa região, Enric Millo. "Dos 2.315 postos de votação (...), 1,3 mil já foram interditados" pela polícia catalã, disse Millo, em Barcelona, à imprensa estrangeira.

Millo acrescentou que 163 desses locais estão ocupados por ativistas, "que estão fazendo, com toda paz e cívicamente, atividades culturais, ou esportivas", e aos quais será permitido sair, embora ninguém mais possa entrar. "Portanto, em 90% dos centros isolados, não há ninguém dentro", frisou, reconhecendo que se trata de um processo longo e que, entre os mil centros ainda por fechar, pode haver dezenas ocupados.

A AFP visitou neste sábado diversas escolas, das quais pais, alunos e vizinhos podiam entrar e sair livremente. Segundo uma fonte do governo separatista catalão, havia "cerca de 200 centros ocupados" apenas em Barcelona e sua periferia. "Os agentes já vieram, falaram conosco e nos disseram que temos que sair antes das 6 horas de domingo, mas não fecharam nada", disse Thais, uma mãe de 38 anos que, como muitos ativistas, preferiu não dar seu sobrenome.

Em um esforço para desmantelar a logística de um plebiscito proibido, a Justiça espanhola ordenou o fechamento de escolas, centros cívicos e outros locais escolhidos para a votação. A polícia recebeu ordens de monitorar a entrada de material eleitoral nesses postos e, se isso acontecer, a determinação é para sua apreensão.

A decisão colocou contra a parede a polícia regional catalã, os Mossos d'Esquadra - subordinada ao governo separatista, mas obrigada a fazer respeitar as decisões judiciais.

Desde que, na sexta à noite, grupos de cidadãos decidiram ocupar as seções eleitorais na tentativa de impedir seu fechamento, os Mossos passaram por esses locais, informando-os de que deveriam sair até as 6 horas (1 hora, horário de Brasília) de domingo. Os agentes catalães receberam ordens para não recorrer à violência. "Convidamos as pessoas que estão dentro desses lugares a saírem", insistiu Millo. "Não acreditamos que seja necessário" retirá-las à força, completou.

Ele admitiu, porém, que, no domingo de manhã, se houver "atos de desobediência", os policiais deverão decidir como agir, respeitando "a proporcionalidade". O representante do governo espanhol anunciou, também, uma operação da Guarda Civil no centro de telecomunicações do Executivo regional catalão, que bloqueou as conexões à internet dos centros de votação, os sistemas digitais de contagem e um sistema que permitiria "uma votação on-line via internet".

Isso "permite, já com um caráter muito definitivo, desarticular a possibilidade de levar a cabo" o que o governo catalão prometeu, "que é a realização de um referendo efetivo, com garantias e vinculante", garantiu Millo.

Carles Riera, deputado no Parlamento regional, do partido separatista de extrema esquerda CUP, prometeu que a mobilização vai continuar depois deste domingo. "Estamos em um processo de mobilização popular que vai longe. Essa onda democrática, esse nível de auto-organização estrutural terá que se manter durante muito tempo para defender a república" que os separatistas querem fundar, disse Riera à imprensa em Barcelona.

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