Macri transforma depoimento sobre caso de espionagem em ato eleitoral
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quinta-feira, 28 de outubro de 2021
Sylvia Colombo - Folhapress 
Buenos Aires - O ex-presidente argentino Mauricio Macri realizou um ato político nesta quinta-feira (28), em Dolores, na província de Buenos Aires, pouco antes de se apresentar para uma audiência do processo no qual é acusado de espionar parentes das vítimas do acidente com o submarino ARA San Juan, em 2017.
A audiência, porém, teve de ser suspensa logo depois de iniciada devido a uma falha técnica do tribunal, que não possuía os dados de inteligência necessários para realizar a sessão. "Foi um erro grotesco do juiz", afirmou o advogado de defesa do ex-presidente, Pablo Lanusse, na saída do local. Uma nova apresentação de Macri à Justiça ficou marcada para 14 de novembro.
Mesmo assim, o ex-líder argentino e outros dirigentes de seu partido, o PRO (Proposta Republicana), aproveitaram a ocasião para fazer um pequeno comício, num palco armado diante do tribunal.
A primeira a falar foi a ex-ministra de Segurança Patricia Bullrich, que afirmou haver "juízes bons e juízes ruins". "Sempre vamos colaborar e respeitar a Justiça, mas é preciso fazer a distinção." A defesa de Macri havia pedido, sem sucesso, a remoção do juiz responsável pelo caso, Martín Bava, por considera-lo parcial.
Ao chegar ao local do depoimento, o ex-presidente ouviu gritos de "não toquem no Mauricio" por parte de apoiadores, que carregavam bandeiras argentinas e faixas com o nome de Macri. No palanque, o antecessor de Alberto Fernández afirmou que o atual processo é fruto de perseguição política.
"A cada agressão, a cada calúnia, a cada mentira, mais se fortalecem as minhas convicções, e sinto que isso também ocorre com vocês", afirmou Macri. O processo contra o ex-presidente se refere à acusação de que os familiares das 44 vítimas do acidente foram espionados pelo governo, que estaria em busca das acusações que eles fariam à Justiça.
"Esta intimação foi intempestiva, sem fundamentos e no meio de uma campanha eleitoral. Mesmo assim estamos aqui mostrando a cara, tranquilos, porque sabemos o que fizemos", disse Macri. O ex-presidente, porém, só compareceu após a terceira convocação da Justiça. Nas vezes anteriores, estava no exterior.


