São Paulo - O presidente da Argentina, Mauricio Macri, tomou posse ontem e liderará o país vizinho nos próximos quatro anos. Com sua chegada, encerra-se o ciclo de 12 anos da família Kirchner na Casa Rosada. O novo presidente argentino chegou às 11h30 locais (12h30 em Brasília) ao Congresso argentino e jurou dez minutos depois, com antecipação em relação ao programa original.
A presidente Dilma Rousseff, que só conseguiu chegar a Buenos Aires às 11h30 locais, perdeu o evento no Congresso. Com o atraso, a comitiva brasileira desistiu de ir à sede do Legislativo e seguiu direto para a Casa Rosada.
Em discurso de 26 minutos, Macri afirmou que os argentinos estavam cansados "da prepotência e do enfrentamento inútil", pediu unidade nacional e destacou a necessidade de abandonar o personalismo.
Ele se disse aberto ao diálogo com todos os partidos políticos. "Quero a contribuição de todos, os que se sentem de direita, os de esquerda, os peronistas e os antiperonistas. Essa diversidade nos enriquece e nos faz melhores." O novo presidente voltou a falar em seu objetivo de zerar a pobreza e a fome e diminuir a desigualdade. "Nós vamos cuidar de todos: o Estado estará onde for necessário, principalmente para os que têm menos".
O novo mandatário prometeu levar a Argentina mais para o centro político, com um programa de governo mais próximo do mercado financeiro, menos protecionista e sem a política ideológica conduzida por sua antecessora. Uma das primeiras medidas de Macri deverá ser unificar o mercado de moeda estrangeira, que foi restringido por sua antecessora, e aprovar novas taxas para atrair investimentos estrangeiros ao país.
A equipe econômica, já anunciada, é composta por ex-empresários e liderada por Alfonso Prat-Gay, que participou da recuperação do país da crise de 2001. O anúncio foi bem recebido pelo mercado financeiro. Na política externa, pretende ter uma relação mais afastada com países ideologicamente próximos a Cristina Kirchner, como a Bolívia e a Venezuela. Por outro lado, deu sinais de que tem a intenção de estreitar os laços com o Brasil. Na semana passada, visitou Dilma Rousseff em Brasília e reuniu-se com empresários na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

TURBULÊNCIA

Macri toma posse depois de três semanas de uma transição turbulenta. Cristina Kirchner não participou da cerimônia de posse, no primeiro caso desde o fim da ditadura militar na Argentina, em 1983. A despedida dela foi feita na noite de quarta, em um ato político com milhares de militantes aliados, alguns pedindo sua volta em 2019. Outro episódio insólito somou-se à série de polêmicas da sucessão presidencial depois que Cristina "roubou" para si a conta oficial da Casa Rosada no Twitter. Entre quarta-feira e ontem, a página perdeu seu caráter oficial e manteve a foto de Cristina - ela deixou de ser presidente exatamente à meia-noite.

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