São Paulo - O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou em discurso nesta segunda-feira (3) algumas medidas em sua estratégia para controlar as contas públicas. Insistindo na necessidade de sacrifício dos argentinos para enfrentar a crise dos últimos meses, Macri disse que o número de ministérios deve ser reduzido a "menos da metade" e também que haverá um imposto sobre as exportações. Mesmo dizendo que concorda que esse imposto não é o ideal, ele argumentou que "nesta emergência" ele é necessário, no âmbito do ajuste. Ele ainda confirmou que o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) será revisto.

"O novo acordo com o FMI acabará com as dúvidas sobre nosso financiamento em 2019", garantiu Macri
"O novo acordo com o FMI acabará com as dúvidas sobre nosso financiamento em 2019", garantiu Macri | Foto: Presidência da Argentina/AFP



Macri admitiu o impacto que o quadro atual representa para a população argentina, reconhecendo que haverá aumento na pobreza com a desvalorização do câmbio nos últimos meses. Para enfrentar isso, disse que serão ampliados programas sociais, como pagamento a famílias pobres e também programas alimentares.

"Recebemos um golpe duro nos últimos meses", afirmou Macri, referindo-se à mudança do humor nos mercados internacionais, que passaram a retirar recursos de mercados emergentes e privilegiar países mais seguros, como os Estados Unidos. "A realidade mostrou que precisamos ir mais rápido no ajuste." O presidente comentou ainda que problemas internos argentinos também influenciam no quadro, sobretudo o desequilíbrio entre os gastos e a receita. "Temos de fazer todo o esforço para ajustar as contas públicas."

Macri defendeu sua estratégia de fechar um acordo com o FMI, alvo de críticas de opositores. Segundo ele, o apoio do Fundo foi "inédito", pelo montante e pela rapidez com que foi fechado. Agora, com o estresse recente sobre o câmbio no país, o FMI já concordou em rever os termos e fechar um novo plano. "Os detalhes técnicos do novo acordo estarão prontos em alguns dias", disse o presidente. "O novo acordo com o FMI acabará com as dúvidas sobre nosso financiamento em 2019."

O FMI fechou em junho um pacote de US$ 50 bilhões para a Argentina, o que deveria dar mais segurança sobre a trajetória do país. As dúvidas sobre a questão fiscal, porém, continuaram, o que fez o peso argentino continuar sob pressão, também por causa de fatores internacionais. Nesse quadro, o governo já havia dito que revisará o acordo com o FMI.

"Com essas medidas começamos a superar a crise", disse Macri, ressaltando que pretende fazer um ajuste estrutural para acabar com o histórico de crises de tempos em tempos no país. Ele afirmou que há diálogo com nomes na oposição, para elaborar a estratégia de ajuste. "Houve muitas crises, mas agora temos um governo que enfrenta a realidade sem escondê-la, honestamente", argumentou. "Não temos medo de pagar os custos para fazer frente a essa realidade e mudá-la", discursou. "Essa não é uma crise a mais, tem de ser a última."

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