Buenos Aires - Na presidência da Argentina há 20 dias, Mauricio Macri obteve ontem uma importante vitória na Justiça: foi inocentado de um processo, que corria há cinco anos, em que era acusado de suposta espionagem ilegal. Ex-chefe de governo da capital Buenos Aires, Macri foi acusado de ordenar as escutas de conversas telefônicas do seu então cunhado, Néstor Leonardo, e do adversário político Sérgio Burstein. A decisão, do juiz Sebastián Casanello, foi divulgada ontem, mas ainda cabe recurso dos espionados. Em seu despacho, o magistrado argumenta que não há provas que responsabilizem diretamente Macri pela espionagem. Outras pessoas, como o então chefe da polícia da capital, Jorge Palacios, seguem respondendo ao processo.
A mudança de ares em favor de Macri começou logo após sua vitória eleitoral, no fim de novembro. O promotor do caso, Jorge Di Lello, que até então defendia a condenação, mudou de avaliação e sugeriu a absolvição. Alegou que, como chefe de governo, ele não poderia ter conhecimento das atividades dos seus funcionários.
A acusação era que Macri teria ordenado a espionagem usando um aparato montado por Palacios no governo da capital. Macri acabou processado, em maio de 2010, por violação de sigilo, abuso de autoridade e associação criminosa. Mas recorreu, alegando que não havia provas que o envolvessem. O caso então foi parar nas mãos de Casanello, que levará os acusados a um tribunal oral (com a participação de jurados). Com a decisão divulgada ontem, o presidente foi poupado. Palacios e um ex-funcionário do governo, acusado de ser espião, vão a julgamento oral.
Segundo o juiz Casanello, não há provas de que a ordem teria partido de Macri e que, segundo testemunhas, Palacios teria interesses próprios na espionagem.

mockup