Cerca de 13 mil refugiados de Kosovo chegaram à Albânia ontem e outros milhares se deslocavam pela Iugoslávia, enquanto as forças sérvias aparentemente lançavam um golpe final para expulsar todos os cidadãos de etnia albanesa de Kosovo. Há três semanas a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), bombardeia alvos na Iugoslávia, numa tentativa de impedir a repressão promovida por Belgrado na província iugoslava.
Novos desentendimentos surgiram entre a Macedônia, que rejeita a construção de novos acampamentos para refugiados albaneses étnicos que fogem de Kosovo, e as forças ocidentais, que insistem em que faça o possível para receber os milhares de kosovares que continuavam chegando ontem a seu país.
France Presse‘‘A Macedônia não quer se tornar um imenso acampamento de refugiados’’, explicou o ministro macedônio da Defesa, Nikola Kljucev. Segundo o ministro, Skopje aceitará unicamente a ampliação dos acampamentos já existentes, mas exige que novos refugiados kosovares que cheguem à Macedônia sejam levados para países terceiros.
Milhares de refugiados de Kosovo chegaram durante a semana à Macedônia, após terem sido expulsos pelas forças sérvias. Os seis acampamentos que ficam na Macedônia estão no máximo de suas capacidades, com cerca de 120 mil refugiados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Tanto o ACNUR quanto a OTAN e a União Européia pediram ao governo macedônio que permita a construção de novos acampamentos para os refugiados de Kosovo. O secretário de Estado (ministro) alemão para a Defesa, Walter Kolbow, cujo país ocupa a presidência da União Européia, advertiu a Macedônia que uma recusa poderia comprometer suas possibilidades de aderir à União Européia. Kljucev imediatamente rebateu, chamado a advertência de ‘‘chantagem’’ e disse que se a UE ‘‘continuar apresentado novas demandas’’, o ‘‘caos’’ tomará conta do governo macedônio.
Segundo a imprensa macedônia, o ACNUR avalia em cem mil o número de refugiados de Kosovo que poderão chegar à Macedônia nas próximas semanas. No entanto, a porta-voz da entidade na Macedônia, Paula Ghedini, desmentiu este número, destacando ser impossível avaliar o número de albaneses de Kosovo que pretendem se refugiar na Macedônia.
Com 2.2 milhões de habitantes, a Macedônia continua alegando que o fluxo de refugiados albaneses de Kosovo poderia desestabilizar o equilibrio étnico do país. Vinte e três por cento da população macedônia é de origem albanesa, segundo dados oficiais, mas informações extra-oficiais estimam este número para mais de 30%.
O ministro alemão da Defesa, Rudolf Scharping, disse ontem ao entrevista ao jornal francês ‘‘Le Monde’’ que existem várias provas de terríveis assassinatos cometidos em Kosovo. ‘‘Atualmente, em Kosovo, 900 mil pessoas foram deportadas ou fugiram, uma quantidade desconhecida foi brutalmente assassinada, mas infelizmente não sabemos o número exato’’, disse .
‘‘Existem provas de terríveis assassinatos’’, garantiu o ministro alemão, segundo quem nos informes é possível observar que são feitas muitas execuções, sobretudo de homens adultos. ‘‘É terrível constatar que no fluxo de refugiados há, proporcionalmente, tão poucos homens com idades entre 20 e 60 anos’’, destacou. ‘‘As imagens que temos, graças a nossas próprias observações e as da OTAN mostram a situação extraordinariamente assustadora e perigosa em que se encontram os deportados no interior de Kosovo’’, concluiu.
O departamento de Estado norte-americano denunciou na sexta-feira que uma nova vala comum foi descoberta na localidade de Izbica, província sérvia de Kosovo. Segundo o porta-voz do departamento, James Rubin, a vala foi achada a oeste da capital da capital da província, Pristina. Rubin afirmou que a descoberta confirma que a políitica do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, tem como objetivo a morte de civis.
Durante uma entrevista à emissora americana CNN, um porta-voz do Exército de Libertação do Kosovo (ELK) pediu ontem a suspensão do embargo sobre as armas contra este grupo separatista. ‘‘Uma forma de vencer a guerra é suspender o embargo contra o UCK’’, disse Shinasi Rama. O embargo foi imposto contra a República Federal da Iugoslávia (RFI, Sérvia e Montenegro) pela resolução 1160 das Nações Unidas de 31 de março de 1998 e se dirige implicitamente aos separatistas kosovares.

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