Mobilizando seis tanques, quatro veículos blindados leves e dezenas de caminhões lotados de soldados, o Exército macedônio entrou ontem em Tetovo, segunda maior cidade da Macedônia (ex-república iugoslava), para executar o que definiu como ‘‘operação final’’ contra rebeldes albaneses étnicos entrincheirados em colinas da região.
O ataque vai começar quando os comandantes militares concluírem que os riscos de baixas entre as tropas macedônias serão mínimos, informou o porta-voz do governo macedônio, Antonio Milosovski.
A decisão do Exército macedônio coincidiu com a promessa do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), George Robertson, de reforçar a fronteira da Macedônia com Kosovo, com o envio de mais tropas da Kfor (força internacional de paz que opera em Kosovo sob controle da aliança atlântica). Robertson disse, depois de um encontro com o chanceler macedônio, Srdjan Kerim, em Bruxelas, que os soldados da Kfor vão cortar o suprimento de armas dos guerrilheiros do chamado Exército de Libertação de Kosovo (ELK) que enfrentam o Exército macedônio.
O chanceler macedônio ressaltou que quando a Otan cortar o fornecimento de armas e munições às linhas rebeldes em território macedônio, o Exército macedônio estará em condições de ‘‘derrotar e expulsar os terroristas’’.
Um quarto da população de 2 milhões de habitantes da Macedônia é de origem albanesa e vive na fronteira de Kosovo – província sérvia de maioria também albanesa étnica. Desafiando a Otan, Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) e Macedônia, o ELK quer anexar os povoados albaneses étnicos em território macedônio e Kosovo à Albânia.
‘‘As forças macedônias estão habilitadas a cuidar da segurança do país’’, insistiu Kerim. Mas, segundo observadores militares da Otan, apesar de ter mobilizado reservistas, o Exército macedônio não está conseguindo conter a violência ao longo da fronteira.
O cenário de guerra é visto com apreensão pelos Estados Unidos e a Rússia. O presidente americano, George W. Bush, criticou as ações dos ‘‘extremistas albaneses’’ e autorizou o reforço das patrulhas americanas da Kfor, que têm seu QG na região. Por sua vez, o presidente russo, Vladimir Putin, deu a entender que poderia apoiar o envio de uma força internacional à Macedônia.
Mas o secretário-geral da Otan, George Robertson, é contrário a essa idéia. Ele lembrou o presidente russo que a Otan não tem mandato sobre a Macedônia.
‘‘Nem mesmo o governo macedônio chegou a fazer tal pedido’’, acrescentou.

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