Um macaco geneticamente modificado nasceu há três meses e encontra-se muito bem. A notícia permite à comunidade científica antecipar uma longa linha de primatas criados especialmente com o objetivo de desenvolver tratamentos para doenças como a Aids ou câncer de mama, informa a revista Science em sua edição que sairá às bancas hoje.
Denominado ANDi (ADN inserido), o macaquinho recebeu um gene extra, introduzido no óvulo fecundado de sua mãe, o que proporcionou o surgimento do primeiro primata não-humano geneticamente modificado.
Nascido em 2 de outubro de 2000, o macaco ‘‘é muito esperto e brinca como uma criança de sua idade com seus dois companheiros’’, indica um dos autores do artigo, Gerald Schatten, do Centro Regional de Pesquisas dos Primatas da Universidade de Ciências do Óregon, Portland.
Com o ADNi, os pesquisadores limitaram-se a introduzir no óvulo, através de um vetor viral, um gene-guia, ou seja, facilmente identificável para determinar se a técnica utilizada era válida.
‘‘Mas também pode ser introduzido facilmente, por exemplo, um gene do Mal de Alzheimer para acelerar as pesquisas sobre uma vacina contra essa doença’’, indicou Schatten, que no ano passado conseguiu a primeira clonagem de um macaco, o Tetra.
‘‘Desta forma, esperamos superar as lacunas científicas existentes entre os ratos transgênicos e o homem’’, continuou. ‘‘Assim será possível obter melhores resultados com um número reduzido de animais para acelerar a colocação em andamento de tratamentos da medicina molecular’’, acrescentou.
Os pesquisadores, comandados por Anthony Chan, iniciaram a modificação genética de 224 óvulos. Depois de fecundados, estes produziram 40 embriões viáveis que permitiram cinco testes. Três macacos nasceram vivos, mas ANDi foi o único que apresentou uma boa integração do gene-guia.

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