Luta contra pacote econômico inclui protestos e bloqueios
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de março de 2001
Liliana Samuel France Press 
A Argentina começou a semana com protestos espontâneos, bloqueios de avenidas e ocupações de colégios e universidades, uma série de medidas de luta, que incluem uma greve nacional, em repúdio ao duro corte de gastos anunciado pelo Governo do presidente Fernando De la Rúa.
Centenas de estudantes, professores, aposentados e desocupados saíram às ruas em diversos pontos da capital para denunciar o plano de ajuste que contempla uma economia de 4,5 bilhões de dólares em dois anos, com cortes substanciais (quase 2 bilhões) na área da educação.
Vários ministros contrários a esse plano entregaram os cargos na sexta-feira, e De la Rúa convocou no domingo um grande acordo de união nacional, abrindo o governo para o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, lembrado por ter freado a hiperinflação, mas que também é recordado por ter levado o nível de desemprego ao recorde de mais de 18%, quando saiu do governo de Carlos Menem (1989-99) em 1996.
Alunos, professores e autoridades de nível secundário e universitário se uniram em assembléias abertas, tomaram os locais e impediram o trânsito nas portas dos estabelecimentos.
A educação pública, gratuita e laica é um assunto particularmente sensível para os argentinos, já que é o fundamento de sua formação como Nação e centro de diversas lutas durante o século passado.
Os jovens, os professores e as autoridades estão em um protesto muito pacífico, embora barulhento, para manifestar um repúdio total e enérgico, porque estas medidas não podem passar, disse o reitor do prestigioso Colégio Nacional Buenos Aires.
Diante das faculdades de Engenharia, no bairro de San Telmo, e de Economia, no centro, foram dadas aulas públicas em meio a avenidas que normalmente têm trânsito intenso. Carlos Degrossi, reitor de Economia, deu uma aula no meio da rua, diante de professores e alunos.


