Luta constante pelos doentes e desamparados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de setembro de 1997
France Press Calcutá 
Com sua frágil silhueta envolta num sari de algodão branco bordado de azul e seu rosto marcado por profundas rugas, Madre Teresa converteu-se numa figura lendária, respeitada no mundo inteiro por seu trabalho infatigável a favor dos desaparados e doentes.
Depois de ter pensado numerosas ocasiões em aposentadoria, sempre para dizer finalmente que não, a conhecida religiosa cedeu seu cargo, em março passado, à frente da Ordem das Missionárias da Caridade, a ordem que fundou há cerca de meio século atrás.
Seu nome ficará ligado à cidade que inspirou sua vocação e onde morreu: Calcutá, a grande metrópole indiana, habitada por milhões de habitantes, suas favelas, seus doentes e seus pobres, mas sempre ressuscitada pelo ardor de viver e de criar próprio do povo de Bengala.
Madre Teresa tinha o hábito de dizer que a obra sua era apenas uma gota de entrega em um oceano de sofrimento. E acrescentava: Se essa gota não existisse, o mar a lançaria.
Sua dedicação aos desamparados de Calcutá, e depois do mundo inteiro, lhe valeu uma série de distinções internacionais, e em 1979, o prêmio Nobel da Paz, (foi a sexta mulher a receber tal láurea), o que acabou de fazer desta viajante infatigável uma figura de autoridade mundial.
A Madre Teresa esteve ligada aos valores mais tradicionais da Igreja, o que lhe valeu ser objeto de críticas nestes últimos anos. Opôs-se sempre a qualquer forma de contracepção.
Madre Teresa levava a vida simples de jovens postulantes da congregação das Missionárias da Caridade, que fundou em 1950. Em sua casa de Lower Circular Road, uma pequena rua em pleno centro de Calcutá, participava dos trabalhos domésticos da comunidade.
Um dia, de passagem por Roma, não hesitou em pedir ao papa João XXIII uma parte das riquezas do Vaticano para seus pobres. O Papa lhe deu seu Rolls Royce, que ela vendeu em leilão por uma soma equivalente a várias vezes seu valor.


