Roma - Ao receber ontem de manhã, das mãos do diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Jacques Diouf, a Medalha Agrícola, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetiu a frase que disse ao tomar posse na presidência da República e receber o diploma alusivo ao evento: ''Agora, já tenho um diploma''.
Na solenidade, Diouf cobriu Lula de elogios pelo programa Fome Zero, afirmando que ele estava recebendo a medalha mais alta distinção da FAO aos que lutam contra a fome no mundo , em reconhecimento pelo seu compromisso de conseguir um mundo sem fome e sem miséria. Segundo ele, é um prêmio merecido porque ''Lula é um líder exemplar na luta contra a fome, servindo de inspiração para outros homens''.
Porém, o presidente brasileiro reconheceu a necessidade de corrigir desvios. ''Os países mais pobres tem de dar exemplo de severidade, de honestidade e de ética para merecer os olhares solidários de milhões e milhões de seres humanos que gostariam de contribuir, mas que têm medo de que o dinheiro não cumpra a finalidade para o qual foi doado'', afirmou Lula, ao discursar na solenidade.
Diouf lembrou que Lula qualificou como humilhação as cestas de alimento básico que eram distribuídas à população pobre no Brasil e, ao criar o Fome Zero, estava tirando milhões de brasileiros dessa humilhação. Diouf lembrou que 852 milhões de pessoas no mundo continuam passando fome.
Ao citar várias iniciativas para mobilizar os países ricos no combate à fome, o presidente Lula defendeu a necessidade de se buscar recursos adicionais para financiamento do desenvolvimento e combate à fome e à pobreza, e defendeu o cumprimento da ''mais ambiciosa das metas do milênio'', que é a diminuição da pobreza no mundo pela metade. Depois, lembrou que em recente encontro na Guatemala assumiu o compromisso de anunciar, em Roma, ''o lançamento da iniciativa ''América Latina sem fome''. E acrescentou: ''Estou certo de que contaremos com a colaboração da FAO para levar adiante nosso objetivo de superar este mal no continente latino-americano até 2020''.
Ontem à tarde, Lula defendeu diante de empresários italianos sua política econômica e disse que está convencido de que o século 21 será ''do Brasil e da América Latina''.
''Atravessamos um momento virtuoso e assim como o século 19 foi da Europa e o 20 dos Estados Unidos, o século 21 será o do Brasil e de toda a América Latina. Não perderemos essa oportunidade de ser uma potência econômica'', afirmou o governante brasileiro durante uma palestra na sede da Confederação dos Industriais Italianos, a Confindustria.

mockup