Lula perdoa a dívida do Gabão
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quarta-feira, 28 de julho de 2004
Leonencio Nossa <br> Enviado especial Agência Estado 
Libreville, Gabão- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem com o governo do Gabão um acordo de renegociação de uma dívida de US$ 36 milhões, que na prática é um perdão concedido ao país africano. Pelo acordo, o governo do Brasil vai converter a dívida em incentivos fiscais para empresas brasileiras investirem no país.
Em encontro com o presidente Omar Bongo, que há 37 anos está no poder, Lula justificou que, mesmo o Brasil não sendo um país rico, tem o dever histórico, ético, político e humanitário de repassar experiências e distribuir parte de seus recursos com as nações ''irmãs''. ''A minha mãe já dizia que na mesa que come um comem dois, na mesa que comem dois comem quatro e na mesa que comem quatro comem oito''.
Na noite anterior, Lula participou de um jantar oferecido por Bongo, ouviu bossa-nova e chegou a sambar num salão decorado com cores verde e amarelo e bolas de futebol. Ao firmar acordos de combate à aids e à malária, desenvolvimento de lavouras de mandioca e troca de experiências na área diplomática no Palácio Presidencial, Lula relatou ao presidente gabonês que, nos últimos 34 anos, o número de pobres cresceu no Brasil. Detalhe, nesse período o Gabão sempre esteve nas mãos de Omar Bongo, que é acusado de censurar a imprensa e fraudar eleições. ''A riqueza (no Brasil) não foi distribuída de forma justa'', afirmou Lula. ''O Brasil não é um país rico, tem potencial para ser rico.''
Dos 15 empresários anunciados pelo Itamaraty para acompanhar a visita de Lula ao Gabão, apenas dois compareceram. A Companhia Vale do Rio Doce é hoje a maior interessada em fazer negócios no país africano. Uma empresa da Vale já contratou 200 pessoas para atuar na extração de manganês, maior potencialidade econômica do Gabão. Lula, ainda no palácio presidencial teve um rápido encontro, fora da agenda, com o primeiro-ministro do Chade, Moussa Faki Mahamat.


