Nova York - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira um apelo a dezenas de chefes de Estado e de governo, reunidos na sede da ONU, em Nova York, para a formação de uma frente global contra a pobreza e a fome no mundo. ''Apelo aos governos, às organizações sociais, aos sindicatos e às empresas para que afirmem explicitamente o compromisso para a formação de uma vigorosa frente global para superação da pobreza'', disse Lula na reunião de Cúpula contra a Fome e a Pobreza, que foi realizada nesta segunda-feira em Nova York.
A Cúpula foi organizada pelo próprio Lula, pelos presidentes do Chile, Ricardo Lagos, e da França, Jacques Chirac, e pelo primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e realizada um dia antes da abertura da 59 Assembléia Geral da ONU.
Foi analisado durante a reunião um relatório técnico sobre as medidas necessárias para o cumprimento dos objetivos fixados na Cúpula do Milênio, celebrada em 2000, entre os quais o de reduzir à metade a pobreza no mundo até 2015.
Segundo Lula, este objetivo pode não se concretizar por falta de vontade política. O presidente aproveitou para recordar uma vez mais que ''a fome é a mais cruel das armas de destruição em massa''. ''A fome continua matando 24.000 pessoas por dia'', afirmou Lula. Ele pediu ainda que a reunião desta segunda-feira sirva ''para a inauguração de uma nova etapa nos esforços para o combate à fome e à pobreza''.
Entre as sugestões citadas pelo relatório técnico, está a criação de um imposto internacional contra a pobreza. ''A meta de uma globalização mais justa só pode ser alcançada se os recursos estiverem disponíveis em grande escala'', diz o informe. Uma outra globalização, socialmente justa e politicamente sustentável, deve começar pelo direito de todos ao trabalho, a um emprego que dignifica.
Pela manhã, durante uma reunião sobre a globalização, Lula afirmou que o acesso ao trabalho decente está no centro da primeira e mais importante das Metas do Milênio: a redução da pobreza e da fome. ''O debate sobre condições decentes de trabalho diz respeito a todos. Cada organização internacional, cada instituição financeira, cada governo tem responsabilidade. O trabalho decente tem de ser uma realidade para todos'', disse.

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