Cochabamba (Bolívia) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na tarde de ontem em Cochabamba com a tarefa de abordar seu colega boliviano, Evo Morales, sobre a ameaça de expulsão de cidadãos brasileiros radicados na Bolívia.
Esse imbróglio supera o atual impasse sobre a indenização à Petrobras pela nacionalização de suas refinarias e a discussão sobre o reajuste do preço do gás exportado ao Brasil.
O encontro privado com Morales foi seu primeiro compromisso no país vizinho, onde participará hoje da 2 Reunião de Cúpula da Comunidade Sul-americana de Nações (Casa) e transferirá a presidência temporária desse bloco embrionário para a Bolívia, que a exercerá ao longo de 2008.
O presidente Lula permanecerá na Bolívia apenas 24h45, tempo considerado suficiente para tratar dos imbróglios bilaterais com Evo Morales, conversar hoje cedo com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, e impor a visão brasileira sobre a construção do bloco sul-americano.
Ao presidente Lula interessa, neste momento, impedir que Evo Morales transforme o tratamento aos brasileiros radicados na Bolívia em mais um instrumento de política interna, assim como foi o anúncio do decreto de nacionalização dos setores de gás e de petróleo, marcado pela ocupação militar das plantas da Petrobras no país.
O risco é considerado elevado por diplomatas brasileiros que acompanham o tema, uma vez que Morales enfrenta a mais grave crise política desde sua posse e necessita como nunca do apoio de suas bases populares. A questão do gás não faz parte da agenda do presidente Lula que, apesar da insistência de Morales, evitar politizar questões empresariais que competem apenas à Petrobras.
O segundo problema, considerado ainda mais crítico pelo Itamaraty, é a possibilidade de expulsão do território boliviano dos cerca de 2.000 extrativistas, garimpeiros e agricultores brasileiros que cruzaram a fronteira do Acre e se instalaram irregularmente nos Departamentos (Estados) do Pando e do Beni. A Constituição boliviana proíbe a presença de estrangeiros na faixa de 50 quilômetros das fronteiras do país, e o governo Morales já deixou claro que não fará concessões a essa regra.

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