Lula e Chávez anunciam acordos de mais de US$ 2 bi
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Folhapress 
Caracas - ''Inspirados nos ideais'' de Simón Bolívar e Tiradentes, os governos brasileiro e venezuelano anunciaram a concretização de uma ''aliança estratégica profunda'', firmando acordos que devem ultrapassar US$ 2 bilhões.
Ao lado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a quem elogiou pelo ''firme compromisso com a democracia'', o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que ''a solução para a economia da Venezuela, do Brasil e de outros países da América do Sul não está no Norte ou do outro lado do oceano, mas na integração''.
Em discurso para cerca de cem empresários de ambos os países no Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano, Lula usou expressões como ''soberania'', ''autodeterminação'' e ''audácia'' para depois, junto com Chávez, anunciar a construção de uma refinaria com recursos dos dois países no Brasil e o investimento na infra-estrutura local.
''Podemos mudar a geografia comercial do mundo, se estabelecermos políticas de complementaridade, se acreditarmos em nós mesmos. Isso não depende de nenhum presidente de outro país. Isso depende exclusivamente da nossa disposição'', disse Lula.
Chávez é crítico da administração norte-americana de George W. Bush, a quem acusa de tentar interferir na autodeterminação da Venezuela, inclusive durante o plebiscito que referendou o seu nome como presidente, em 2004. O venezuelano endossou o discurso de Lula: ''Queremos diversificar as importações e olhar para o Sul. Estamos na hora de comprar do Brasil, em vez dos Estados Unidos e da Europa''.
Chávez quer contrapartidas nas negociações comerciais. Na aquisição de caças-bombardeiros da Embraer, operação que pode chegar a US$ 300 milhões, por exemplo, defende a transferência de tecnologia para o seu país que viabilize o início de uma indústria aeronáutica. O negócio chegou a ser aventado em 2002, mas não progrediu.
Os países firmaram acordos em treze áreas distintas, a maior parte na área energética. A grande frustração foi a indefinição das garantias em torno de projetos de infra-estrutura financiados pelo BNDES. A falta de consenso em torno de um fundo garantidor pode atrasar obras como a do metrô de Caracas e a construção de pontes sobre o rio Orinoco.
Um dos acordos prevê a construção de uma refinaria no Nordeste brasileiro, numa parceira entre a Petrobras e a PDVSA, estatal venezuelana. O investimento previsto é de US$ 2 bilhões.
Ainda no setor energético, foram firmados acordos de produção de etanol e de biodiesel. Há também a intenção de construir uma fábrica de lubrificantes em Havana. O investimento, de US$ 20 milhões, seria feito em conjunto com a estatal cubana. Foi anunciado ainda o fim da bitributação para empresas que operam nos dois países e a atuação da Companhia Vale do Rio Doce e da venezuelana Carbozulia para explorar reservas carboníferas na Venezuela.
Lula também disse que Chávez lidou com ''sabedoria neste princípio de divergências com a Colômbia''. O presidente desse país, Álvaro Uribe, e Chávez buscam hoje no Palácio Miraflores uma saída política para a crise da prisão do membro do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia Rodrigo Granda em território venezuelano a mando dos colombianos.


