Lula diz que renúncia de Micheletti soluciona crise
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terça-feira, 06 de outubro de 2009
Folhapress 
São Paulo- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem, em entrevista a jornalistas durante a cúpula Brasil-União Europeia, que o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, renuncie e permita o retorno do líder deposto, Manuel Zelaya. Lula classificou o gesto como uma solução ''fácil'' para a crise política instaurada pelo golpe que derrubou Zelaya, em 28 de junho.
''Para nós a solução em Honduras é fácil: se as partes envolvidas no golpe deixarem o poder e restituírem o presidente Zelaya, então, as eleições seriam realizadas em novembro e teríamos resolvido o problema'', disse Lula, que já reiterou diversas vezes seu apoio a Zelaya e disse garantir sua estadia como ''convidado'' na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está desde que voltou clandestinamente ao país, em 21 de setembro.
''O único problema de Honduras é que há um presidente que não deveria estar ali'', completou Lula, apoiado pelo primeiro-ministro sueco e presidente da UE, Fredrik Reinfeldt, e o chefe da Comissão Européia, órgão executivo da UE, José Manuel Barroso.
Em declaração conjunta pela cúpula, o Brasil e a UE condenaram a ''violação da ordem constitucional'' em Honduras, pediram a inviolabilidade da embaixada brasileira e fizeram um apelo para que a integridade física de Zelaya, de sua família e de membros do antigo governo seja respeitada.
No documento, as autoridades europeias e brasileiras pedem ainda que todas as partes envolvidas na crise política em Honduras, ''em particular o governo interino'', trabalhem por uma solução rápida.
Ontem, cem dias após a deposição de Zelaya, Micheletti voltou atrás da principal medida de reação ao gesto do rival e revogou o estado de exceção que havia suspendido as liberdades no país há nove dias. O presidente interino falou ainda que aceitaria ''qualquer solução'' à crise, caso as eleições sejam garantidas -discurso que foi visto como a admissão da restituição de Zelaya ao poder.
''Se as eleições acontecerem no país, transparentes, e nós escolhermos o novo presidente, então poderemos falar de qualquer cenário, de qualquer solução'', disse Micheletti, em entrevista ao canal 5 de Honduras.


