Lula diz que não crê em conflito de civilizações
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Agência Estado 
Cotonou (Benin) - Num país que conseguiu se desviar do islamismo radical, a Argélia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou ontem que não crê em ''conflito de civilizações'', em clara referência às teses em voga sobre o choque entre o Ocidente e o Oriente.
Lula afirmou ainda que o terrorismo ''é um mal que deve ser combatido com energia e tenacidade''. Como alternativas, ele propôs a crença na ''tolerância e na justiça social'' e a tarefa de convencer ''os poderosos do mundo'' de que seria mais barato e eficaz combater a pobreza do que ''construir arsenais milionários'' que só agravam a violência no mundo.
O discurso de tom pacifista foi proferido durante o almoço que lhe foi oferecido pelo presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, no Palácio do Povo, construção mourisca que abrigava a antiga sede de verão do governo colonial francês em Argel. ''Temos de construir nosso futuro comum, não com base no medo, mas na esperança'', ressaltou Lula.
Bouteflika, que discursara pouco antes, destacara a preocupação com o Oriente Médio, ao defender a retirada de Israel de regiões do Líbano e da Síria, o restabelecimento da soberania ao povo do Iraque e a criação de um Estado independente e soberano palestino, com capital em Jerusalém - sem mencionar o direito à existência do Estado de Israel, que é reconhecido pelo Brasil.


