Argel (Argélia) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem que a via diplomática prevaleça no tratamento do programa nuclear do Irã pela comunidade mundial e que, de preferência, o caso seja decidido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Em resposta a um questionário encaminhado por jornalistas argelinos, Lula que começou ontem uma viagem a cinco países da África destacou que o Brasil é contrário a iniciativas unilaterais e que a comunidade internacional deve priorizar a solução pacífica de questões como a do Irã. Deixou claro ainda a resistência de seu governo a uma possível decisão da controvérsia pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.
''O assunto tem um canal apropriado de tratamento no seio da AIEA e das Nações Unidas'', afirmou Lula, na resposta enviada por escrito à imprensa da Argélia. ''Nós privilegiamos o tratamento das questões internacionais pela via da negociação e do multilateralismo e queremos que se tentem todas as formas possíveis de resolver as pendências pacificamente, sem confrontações ou aumento de tensões. Quero que se dê não uma, mas todas as chances à diplomacia'', completou.
Na semana passada, o governo brasileiro apoiou o envio de uma resolução sobre o programa nuclear iraniano ao Conselho de Segurança, durante reunião da Junta de Governadores da AIEA. No último dia 4, o texto foi encaminhado. Mas, como tem caráter apenas informativo, não abriu a possibilidade de o assunto ser discutido no conselho com objetivos mais incisivos, como a aplicação de sanções ao Irã.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, destacou que recebeu dos Estados Unidos a garantia de que não vão adotar nenhuma atitude em relação ao Irã no Conselho de Segurança antes da próxima reunião da AIEA, no dia 6 de março. Essa posição foi transmitida terça-feira a Amorim pela própria secretária de Estado, Condoleezza Rice, durante conversa por telefone. Para o chanceler brasileiro, a decisão de Washington não deixa de ser compreendida como uma pressão sobre Teerã.
Os ministros das Relações Exteriores Celso Amorim, do Brasil, e Mohammed Bedjaui, da Argélia, também assinaram ontem acordos e cartas de intenção para promover intercâmbios comerciais entre os dois países. Num dos acordos, os dois países se comprometeram a adotar ''todas as medidas necessárias para facilitar, reforçar e diversificar os intercâmbios comerciais bilaterais''.

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