Lula defende união com árabes
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de dezembro de 2003
Por Denise Chrispim Marin<br> Agência Estado 
Beirute O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar ontem, em Beirute, o protecionismo dos países desenvolvidos e o modelo de acordos de livre comércio, que geram benefícios somente para um dos lados envolvidos, de acordo com ele.
Defendida com ênfase nos discursos que fez no encerramento do Seminário Empresarial Líbano-Brasil e, em seguida, na Assembléia Nacional libanesa, o discurso de Lula referiu-se, indiretamente, aos mais difíceis processos de negociação comercial que envolvem o Brasil, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Européia (UE).
Ele insistiu na maior aproximação entre a América do Sul e o mundo árabe, como uma alternativa para escapar da lógica que favoreceria apenas aos países mais ricos. Especificamente, voltou a mencionar a iniciativa de reunir os chefes de Estado das duas regiões, em 2004, como meio de promover a maior interligação comercial e a ação conjunta nos foros internacionais para a defesa de posições comuns. Para Lula, este é o momento de definir se essas nações querem avançar nessa linha ou não.
''O mundo rico, quando se trata de negócios, age com muita dureza em defesa de seus interesses. Por isso é que, na Organização Mundial do Comércio (OMC), temos tantas dificuldades para fazer com que os europeus e os americanos abram mão dos subsídios a seus produtos, sobretudo os agrícolas, para que os países em desenvolvimento possam competir em igualdade de condições'', afirmou aos cerca de 280 empresários dos dois países, presentes no congresso.
''Está na hora de nós mudarmos a geografia comercial do mundo. Sozinhos, nenhum de nós pode competir com os países ricos. Juntos, nós teremos muita força para competir em igualdade de condições e para fazer com que os países ricos flexibilizem as suas regras'', completou.
Bastante aplaudido depois dessas declarações, o presidente brasileiro reforçou a convicção de que o livre comércio deva ser uma via de duas mãos - que possa trazer benefícios para todos os envolvidos.
Conforme afirmou, esse processo não pode trazer como resultado apenas a possibilidade de elevar as exportações de itens produzidos pelos países ricos.
Valendo-se de uma constatação corriqueira, Lula argumentou que o ''bom comerciante'' não é o que leva vantagem em tudo, ''aquele que só quer vender e não comprar'', mas o que sai feliz de um negócio e deixa também o interlocutor contente.


