São Paulo- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem a retomada das negociações da rodada Doha (Catar) e a importância do comércio entre o Brasil e os países do Oriente Médio. Em discurso de abertura da 2 Cúpula América do Sul-Países Árabes, realizada em Doha, o presidente afirmou ainda que as duas regiões podem ter papel extraordinário na reunião do G20 (grupo dos países mais desenvolvidos e os principais emergentes) e no encontro de uma saída para a crise financeira.
''Representados pela Arábia Saudita, Argentina e Brasil, nossas regiões têm uma extraordinária oportunidade de apresentar propostas consistentes para a reforma (dos organismos internacionais)'' que será discutida em Londres, a partir desta quinta-feira.
''O mundo estará atento para saber se a América do Sul e os Países Árabes serão capazes de propor medidas que evitem que uma crise financeira se transforme em terremoto social e político'', afirmou o presidente.
Para ele, ''essa crise impacta mais duramente os países pobres e as populações carentes, os mais vulneráveis à crise e os menos responsáveis por ela'', disse, repetindo de forma mais amena a frase que causou polêmica na semana passada, em um encontro com o primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
Durante a abertura do encontro, o presidente afirmou que ''nenhum país conseguirá superar a crise com ações isoladas. Sem solidariedade e espírito de cooperação, não colocaremos em prática ações coletivas e coordenadas indispensáveis''.
Sobre o comércio entre o Brasil e os países árabes, Lula defendeu a criação de espaços comuns de comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes, Omã e Kuait), Egito e Jordânia.

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