Lula concorda com ajuda à Venezuela
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2002
Das agências 
São Paulo O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva considera normal que o governo brasileiro ajude a Venezuela, e deseja uma solução ''o mais democrática possível'' para a atual crise venezuelana, segundo notícias divulgadas ontem. Também ontem, a estatal Petrobras confirmou o envio de um navio-tanque com 520.000 barris de gasolina para o país vizinho, que sofre uma falta de combustíveis por causa de uma greve geral iniciada no dia 2 deste mês. O navio brasileiro deve chegar à Venezuela no próximo final de semana, segundo o porta-voz da Petrobras, que não revelou em que porto aconteceu a partida.
O envio do navio foi negociado pelo assessor para Assuntos Internacionais do governo de Lula, Marco Aurélio Garcia, que viajou a Caracas para avaliar a crise venezuelana.
A declaração feita por Lula ontem é a resposta à oposição venezuelana, que na véspera criticou o apoio do Brasil ao governo constitucional de Hugo Chávez, segundo analistas políticos.
Os opositores de Chávez exigem sua renúncia ou a convocação de eleições antecipadas, e consideram a ajuda brasileira uma violação à soberania nacional venezuelana.
Lula, porém, não entende assim. ''Não sei porque a oposição reclama. Queremos que a Venezuela resolva seu problema da forma mais democrática possível'', afirmou. Disse ainda que a ajuda brasileira é ''um ato de solidariedade para com o povo venezuelano, que não pode pagar o preço da crise política''.
O futuro presidente também considera a Venezuela um sócio extremamente importante para o Brasil, e ressalta que sem um entendimento entre a oposição e o governo, uma eleição não será suficiente para resolver a crise.
''É preciso saber se as partes aceitarão o resultado eleitoral'', concluiu Lula.
Problemas A greve da oposição, que entrou no 25º dia na Venezuela, está provocando a escassez de carnes e produtos lácteos, estimada em 90% por José Luis Betancourt, presidente da federação da pecuária local (Fedenaga). Segundo ele, ''na Venezuela são produzidos diariamente 3,7 milhões de litros de leite mas, agora, só estão chegando à indústria 270.000 litros por dia, menos de 3% do consumo''.
Petróleo O governo da Venezuela abordou os navios Bárbara Palacio e Maritza Sayalero, dando continuidade às ações visando à recuperação das operações da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), afetada pela greve que completou 25 dias ontem.
A oposição venezuelana, que luta para retirar o presidente Hugo Chávez do poder, é forte nas áreas de comercialização e transporte da PDVSA. Mais precisamente, foi a paralisação dos navios e o bloqueio dos portos que geraram em cascata a paralisação do restante da indústria, principal fonte de divisas do país.


