Lula compara Trump a 'imperador' após ameaças contra o Brics
Usando as redes sociais, presidente dos EUA ameaça taxar em mais 10% países que se aliarem ao Brics
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de julho de 2025
Usando as redes sociais, presidente dos EUA ameaça taxar em mais 10% países que se aliarem ao Brics
Nathalia Garcia e Ricardo Della Coletta/ Folhapress 
![Presidente Lula: "O mundo mudou. Nós somos países sobreranos, se ele [Trump] achar que pode taxar mais, os países têm o direito de taxar também"](https://www.folhadelondrina.com.br/img/Artigo-Destaque/3270000/400x0/Lula-compara-Trump-a-imperador-apos-ameacas-contra0327445200202507071634-14.webp?fallback=https%3A%2F%2Fwww.folhadelondrina.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F3270000%2FLula-compara-Trump-a-imperador-apos-ameacas-contra0327445200202507071634.jpg%3Fxid%3D6205815&xid=6205815)
BRASÍLIA, DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a ameaça do republicano de aplicar tarifas a países do Brics.
"O mundo mudou, não queremos imperador. Nós somos países soberanos. Se ele achar que ele pode taxar mais, os países têm o direito de taxar também. Existe a lei da reciprocidade. Eu achei muito equivocado e muito irresponsável um presidente ficar ameaçando os outros em redes digitais", afirmou Lula.
Na noite de domingo (6), Trump disse numa rede social que qualquer país que "se alinhe às políticas antiamericanas do Brics" será afetado por uma tarifa adicional de 10%. "Não haverá exceção a essa política. Obrigado por sua atenção", escreveu Trump.
Paralelamente ao anúncio de Trump, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os EUA aplicarão em 1º de agosto tarifas aos parceiros comerciais com os quais não tenha alcançado acordos, seja Taiwan ou a União Europeia.
As chamadas tarifas recíprocas anunciadas em 2 de abril - hoje suspensas temporariamente - afetaram os membros do Brics de forma diferente. Enquanto o Brasil ficou com a sobretaxa mais baixa, de 10%, a China chegou a ser tarifada em mais de 140% (os dois países chegaram a um acordo para reduzir o índice).
No comunicado da cúpula de líderes, o Brics criticou, sem citar nominalmente Trump ou os Estados Unidos, o "aumento indiscriminado de tarifas" como ameaça à redução do comércio global e condenou a imposição de "medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional".
Os países manifestaram também no texto ter "sérias preocupações" com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais "que distorcem o comércio e são inconsistentes com as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio)".
LULA RESPONDE A TRUMP SOBRE BOLSONARO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESSS) - O presidente Lula (PT) disse nesta segunda-feira (7) que não aceita nenhuma interferência na democracia brasileira, após declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em apoio a Jair Bolsonaro (PL). O americano afirmou que o Brasil está perseguindo o ex-presidente, e criticou o tratamento dado a ele, hoje alvo do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento da trama golpista.
"A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o estado de direito", afirmou Lula em nota.
Mais cedo, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também rebateu a declaração de Trump e afirmou que ele está equivocado se pensa que pode interferir no Judiciário brasileiro.
"Donald Trump está muito equivocado se pensa que pode interferir no processo judicial brasileiro. O tempo em que o Brasil foi subserviente aos EUA foi o tempo de Bolsonaro, que batia continência para sua bandeira e não defendia os interesses nacionais", escreveu ela em sua conta no X (antigo Twitter).
Na publicação feita na rede social Truth Social, Trump se comparou a Bolsonaro e apontou perseguição pelo fato do brasileiro ser um oponente político do governo brasileiro.
"Eu tenho assistido, assim como o mundo, enquanto eles não fazem nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano. Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo", afirmou Trump.
Ainda na publicação, o americano afirmara que pôde conhecer Bolsonaro e o classificou como um líder forte que "realmente amava seu país".
A mensagem de Trump ocorre em meio à pressão e expectativa de bolsonaristas para que os Estados Unidos apliquem uma sanção ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. (Mariana Brasil/ Folhapress)


