Lozada perto da presidência boliviana
La Paz O ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada ainda não tem o apoio necessário para formar o governo sólido que quer mas não perdeu a possibilidade de ser outra vez governante nos próximos cinco anos, pelas opções que a Constituição lhe outorga. A cúpula do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), que ocupou o primeiro lugar nas eleições bolivianas de 30 de junho, começou ontem a analisar as possibilidades de tornar Sánchez de Lozada presidente, depois da decisão do social democrata Jaime Paz Zamora de não o apoiar no Congresso.
Segundo a contagem final da Corte Eleitoral, o MNR ganhou as eleições com 22,4 por cento de apoio, cerca de 40.000 votos a mais que o líder dos produtores de folha de coca, Evo Morales, situado em segundo lugar, com 20,94 por cento de apoio.
Em terceira colocação se encontra a Nova Força Republicana (NFR), do populista Manfred Reyes Villa, com 20,91 por cento, e em quarto lugar o Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR), do ex-presidente Jaime Paz Zamora, com 16,31 por cento.
Esses resultados indicam que, por nenhum dos candidato terem atingido a maioria dos votos, o Parlamento elegerá o próximo presidente entre os dois mais votados.
A situação deriva da decisão de Paz Zamora de não apoiar Sánchez de Lozada, como anunciaram os candidatos Reyes Villa e Evo Morales. Paz Zamora também não apoiará o indígena Evo Morales, por isso o MIR se tranformará em um partido mais da oposição, seja quem for o próximo governante.
Segundo a Constituição da Bolívia, os 157 congressistas devem realizar, se necessário, três votações no Congresso para escolher o próximo governante com pelo menos oitenta votos, entre os dois primeiros mais votados nas eleições.
Apenas a Unidade Cívica Solidariedade (UCS), do empresário cervejeiro Johnny Fernández, e a governante Ação Democrática Nacionalista (DNA) anteciparam seu apoio a Sánchez de Lozada, apesar de ambos não somarem mais de dez votos aos cerca de cinquenta do MNR.
Se Sánchez de Lozada e Evo Morales não conseguirem o apoio mínimo no Congresso, a Constituição prevê que o ganhador por maioria relativa das eleições será proclamado automaticamente como novo governante da nação. Dessa forma, Sánchez de Lozada e o jornalista Carlos Mesa têm possibilidades de serem proclamados presidente e vice-presidente de seu país no dia 4 de agosto, dois dias antes da data programada para a tomada da posse presidencial.
No entanto, alguns analistas políticos advertiram sobre os riscos de ocupar o comando do Estado nessa circunstância, sem contar com as alianças partidárias necessárias que asseguram a governabilidade nos próximos cinco anos.
Se for eleito presidente com pouco apoio político no Congresso, Sánchez de Lozada teria um governo frágil no período 2002-2007, ao contrário da maioria que tiveram seus antecessores.
A preocupação surge pela exigência imposta devido à situação de aprovar leis para resolver a crise econômica, reformar a justiça e designar altas autoridades não-governamentais, com o apoio de dois terços do Congresso, como exige a Constituição, o que obriga a combinação entre oficialistas e opositores.





