Caracas - A Justiça venezuelana decidiu ontem que o líder opositor Leopoldo López, que se considera um preso político desde que foi detido há três meses, será julgado por estimular a violência, o que pode resultar em uma sentença de 10 anos de prisão. O Ministério Público acusa López de ser "determinante nos delitos de incêndio e danos, instigação pública e associação delituosa".
O advogado Juan Carlos Gutiérrez, que defende López, reagiu afirmando que "as provas da defesa foram silenciadas e negadas, de maneira que vamos para um julgamento completamente amarrados, completamente silentes quanto à capacidade de provar sua inocência". "Apesar da razão, da Constituição, da multiplicidade de argumentos, foram impostas respostas que vão além da lei e isto teve como consequência que Leopoldo López deve permanecer privado da liberdade", completou Gutiérrez, que acredita que o julgamento deve acontecer em agosto.
A decisão foi anunciada após uma jornada de muitas deliberações, iniciada na manhã de quarta-feira no Palácio da Justiça, no centro de Caracas, onde na segunda-feira começou a audiência preliminar contra López e quatro estudantes, que também serão julgados.
A medida foi criticada nesta quinta-feira pelo departamento americano de Estado, que declarou que a ação "certamente não ajuda e é bastante prejudicial ao processo" de diálogo entre o governo e a oposição.
A porta-voz do departamento de Estado Marie Harf afirmou que "o diálogo é o caminho a ser seguido" na Venezuela, e não "a prisão política, não a tentativa de criminalizar a discordância".
Em Genebra, um informe da Comissão Internacional de Juristas (CIJ) criticou o sistema judicial venezuelano, que seria usado de forma política, e não para combater a crescente criminalidade que atinge o país.

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