Londrinenses ainda aguardam notícias
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sábado, 12 de março de 2011
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Londrina - A apreensão que tomou conta da família Hirama, de Londrina, na manhã da última sexta-feira, ao saber do terremoto e do tsunami que devastaram o Nordeste do Japão, ainda permanecia ontem. O produtor rural aposentado Yassuo Hirama, 74 anos, tem ficado permanentemente atento às informações que chegam pela internet e ao noticiário da TV estatal NHK. Seus três irmãos moram em Sendai, capital da província de Miyagi, um dos locais bastante atingidos pela tragédia. Segundo as últimas informações, de 200 a 300 pessoas se afogaram ali devido às inundações.
Hirama, que veio sozinho para o Brasil há 54 anos, fez uma lista de quatro números de telefones, dos irmãos e sobrinhos, que tem ligado várias vezes ao dia. Em nenhum deles as chamadas foram atendidas até agora. ''Está difícil. A esperança é que eles estejam vivos, mesmo que o tsunami tenha levado casa e tudo mais'', disse, tentando manter a calma. Ele tem uma filha juíza e um genro promotor, que estão pensando em embarcar para o Oriente nas próximas semanas para ajudar na reconstrução. ''Eu também iria, se pudesse'', confessou.
Outra família londrinense que tem se mantido o tempo todo ligada às notícias do Japão é a da estudante Aline Naemura. Ela tem tios e primas morando em Sendai, e o desespero foi grande até conseguir contato com a tia, anteontem, por telefone. Na manhã de ontem Aline trocou informações por e-mail com uma das primas. ''Eles estão praticamente sem comida em casa, e também sem luz e sem gás. Segundo a minha prima, está muito frio, mas eles estão em segurança.''
Ontem de manhã pelo menos um londrinense embarcou para o Japão, sem saber direito o que vai encontrar por lá. Armando Mima, 50, manteve sua viagem para Nagoya, onde vai trabalhar em uma indústria de alimentos. ''Já morei 20 anos lá, e em uma das vezes que fui, em 1994, cheguei na véspera de um terremoto que arrasou algumas áreas. Daquela vez ajudei na reconstrução, e dessa vez vou fazer o mesmo, se precisar.'' A intenção de Mima é ficar pelo menos cinco anos em Nagoya, que está localizada na Região Central do Japão e não sofreu grandes danos. ''A gente tem um certo medo, mas fazer o quê? Todo mundo precisa trabalhar...'', resignou-se.
A Agência de Turismo Tapete Mágico, uma das que organizam viagens de dekasseguis para o Japão, informou que até agora um casal que estava se programando para visitar o país em abril, a passeio, já desistiu da viagem. Hoje os dois templos budistas de Londrina vão realizar cultos em homenagem às vítimas do terremoto.


