Londrinense relata situação de medo
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domingo, 15 de novembro de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
"Uma situação tensa e de medo." É assim que a londrinense que trabalha no ramo imobiliário de Paris, Josiane Batista, descreve os atentatos terroristas da noite do dia 13. Casada com o curitibano Nelson Batista, que atua na construção civil, eles moram na Cidade Luz há 12 anos, com o filho Anthony, de 5 anos, e a mãe de Josiane, a cozinheira Maria Lúcia dos Santos.
Ela explica que vive na região de Chatillon, que fica a 10 quilômetros da casa de shows Bataclan local onde aconteceu o maior número de mortes entre as quatro regiões da cidade atingidas pelo atentado com pelo menos 70 mortes confirmadas até ontem, segundo o Ministério do Interior. Dois brasileiros foram confirmados entre dezenas de feridos.
"Todos já haviam chegado em casa e fui a última a entrar. Meu marido estava vendo filme na sala quando, pela internet, vi que havia acontecido um tiroteio no Bairro 10. Ligamos a TV e aos poucos fomos compreendendo que o atentado terrorista havia acontecido em vários locais simultaneamente", contou.
Na manhã de ontem, Josiane relatou que o clima ainda era bastante nervoso na cidade. Havia um alerta do governo francês para que ninguém saísse de casa e algumas linhas de metrô estavam fechadas, além de estradas que dão acesso diretamente a Paris. "Eu particularmente não dormi bem, meu filho tinha aula de judô pela manhã (de ontem) e não o levei. Preferi ficar em casa. Meu marido saiu logo cedo e ficamos tensos. Mas também existe um clima de solidariedade muito grande, todos se mobilizando para ajudar de alguma forma. Muitos estão oferecendo abrigo para aqueles que vieram de longe para fazer turismo e não conseguiram ir embora. Há também um apelo para doações de sangue e luto pelas vítimas, pois o número de mortes aumenta a todo instante", descreveu.
Imagens do ataque a Paris, que resultou em mais de 120 mortos. AFP
Posted by Folhaweb on Sábado, 14 de novembro de 2015
Como os atentados estão diretamente ligados a grupos terroristas islâmicos este último assumido através de comunicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico Josiane explica que muitos franceses criaram um preconceito ainda maior contra os muçulmanos. "Não tenho contato direto, mas cruzamos com muçulmanos o tempo todo pelas ruas. A religião e os costumes deles não são aceitos por muitos franceses. Já os brasileiros eles recebem muito bem. Amam nossa cultura e alegria", contou.
A família não pretende voltar para o Brasil por enquanto. Ela acredita que viver na Europa ainda é mais seguro do que em sua terra natal. "Sempre penso: e se houver um ataque como houve nos Estados Unidos? Mas seguimos com nossa rotina. Só Deus mesmo pode nos guardar", completou.


