Londrinense relata clima de terror
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terça-feira, 22 de março de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
"Inacreditavelmente, o coração da Europa está quieto, de luto", definiu a enfermeira da ala de terapia intensiva neonatal do Hospital Universitário de Leuven, Clara Akemi Kussano. A londrinense mora com a família no bairro Overijse, ao redor de Bruxelas, desde 2005. Ainda surpresa com o atentado registrado na estação de metrô e no aeroporto, Clara concedeu entrevista por e-mail e comentou sobre o clima de insegurança que tomou conta da cidade. "Bruxelas parou. Há uma mistura de sentimentos: luto, solidariedade, tristeza, perda, medo, dúvidas... Terá um próximo ataque? Quando? Hoje a orientação foi para que a gente não saísse de casa. Foi um dia pesado! Triste demais", contou.
Clara estava de folga ontem, mas o marido que trabalha na Comissão Europeia estava no centro de Bruxelas. "Ele me avisou imediatamente após saber do ataque no aeroporto. Ficamos chocados. Todos os funcionários das instituições foram orientados a não sair do prédio até segunda ordem. Estávamos atentos às noticias. Já sabíamos de antemão que tudo iria fechar, ou seja, lojas, metrô, trem, ônibus, todo o círculo que rodeia Bruxelas. Ninguém sai, ninguém entra. Agora, no final da tarde, com a abertura gradativa do transporte público e com o fato de que cada pessoa está sendo revistada antes de usar o transporte, há uma grande fila nas estações, bem como um grande atraso para retornar para casa", relatou.
Segundo a enfermeira, o setor de segurança pública sempre recebeu atenção especial em razão das várias instituições do continente com sede no país (Parlamento, Conselho e Comissão Europeia). No entanto, o esquema de segurança foi reforçado gradativamente após os atentados terroristas registrados em Londres e Paris. "Há muita desconfiança, muito receio em frequentar locais públicos ou de massa. É muito triste. Após o ataque em Paris, por exemplo, havia militares pesadamente armados. As entradas foram restritas em supermercados, estacionamentos, shopping centers, tendo sempre a bolsa revistada... Eventos de massa foram cancelados como a festa de fogos de final de ano e os festivais de ano novo. Esta semana, logo após a prisão de Salah Abdeslam (suspeito de envolvimento aos ataques registrados em Paris), o esquema de segurança aumentou drasticamente com carros blindados na rua, muitos militares... clima de preparar-se para uma guerra", ressaltou Clara.
A brasileira elogiou o país que acolhe centenas de estrangeiros diariamente. "Bruxelas/Bélgica é o coração da Europa. Abriga as várias instituições europeias e possui universidades de renome internacional que têm atraído muitos estudantes e docentes estrangeiros. Enfim, é uma Bélgica de portas abertas. Apesar de toda esta mistura de raças e culturas diferentes, sempre nos sentíamos seguros e sempre aprendemos a nos respeitar nas nossas diferenças", completou. O Hospital Universitário de Leuven, nos arredores de Bruxelas, onde Clara trabalha, recebeu feridos que precisavam de cuidados intensivos. "Nos sentimos muito tristes, chocados e solidários com as vítimas e suas famílias", concluiu. (Colaborou Micaela Orikasa)


