Londrinense quer fazer carreira
Agência Estado
De Brasília
Os 51 membros da Polícia do Exército que integrarão o contingente da ONU no Timor Leste foram apresentados ontem em Brasília. O pelotão é comandado pelo major Fernando do Carmo Fernandes e embarca na segunda-feira. O major se emocionou ontem, no quartel da PE, ao falar da missão e da família
Todos os militares que viajam ao Timor são voluntários, têm conhecimento de inglês e currículo com boas notas nas missões que tiveram dentro do Exército. Outro perfil quase comum a todos é a vontade de progredir na carreira. Quero progredir na carreira com esta viagem, disse o cabo Fernando Cabral, londrinense de 21 anos, que só viu cenas de guerra no filme O Resgate do Soldado Ryan e nunca brincou em videogames de guerra. Acho que vou ver cenas semelhantes às do filme em Timor, acredita o soldado, que ainda não tinha lido as notícias sobre o início da retirada das milícias armadas pró-Indonésia. Ex-auxiliar de supermercado em Londrina e filho de uma diarista, o soldado sonha com o oficialato.
O cabo Hélio Horta de Moura, mineiro de Governador Valadares, vai deixar a mulher e três filhos menores em Samambaia, uma das cidades da periferia do Distrito Federal. Há 12 anos no Exército o cabo diz que está preparado para qualquer tipo de combate.
Os soldados brasileiros receberão informações do Brasil e poderão conversar com a família pela Internet. Será montada uma sala especial em Brasília para troca de informações.
O Exército considera a missão a mais perigosa depois da Segunda Guerra Mundial. Há possibilidade de haver combate real e toda a tropa já está sabendo disso, disse o chefe do Comando Militar do Planalto, general de divisão Carlos Alberto Uchôa. Se houver resistência das milícias, disse um militar de alta patente, os soldados terão de mandar chumbo.
Os militares que irão ao Timor ganham em média R$ 750 mensais e terão adicional de um terço durante a missão. Terão ainda prioridade nas futuras listas de promoções do Exército.





