Por poucos minutos, o advogado londrinense Eduardo Vieira Hachicho, 28 anos, teria presenciado a explosão da primeira bomba, ocorrida às 8h51, entre as estações Liverpool Street e Aldgate East. ''Eu peguei um trem para ir para o trabalho e desci na Liverpool. Ali peguei um metrô, que passou pelo local da explosão minutos antes.'' Eduardo contou que quando chegou no trabalho, na cidade de Farnborough, vizinha de Londres, custou a acreditar no que tinha acontecido. ''A sensação foi de pânico, porque eu tinha acabado de passar por ali.''
Hachicho contou que a cidade só voltou a registrar algum movimento pelas ruas no final da tarde. ''A previsão é que esta noite algumas linhas de metrô voltem a funcionar e também os ônibus.'' O advogado não pretende parar de usar o transporte coletivo por causa do atentado de ontem. ''Hoje (ontem) já voltei de trem do trabalho'', contou.
Já uma outra londrinense que se encontra em Londres, a arquiteta Renata Mazzini, 27 anos, não sabe se, tão cedo, terá coragem de entrar em um metrô. ''Depois do atentado em Madri fiquei insegura em pegar metrô nos horários de maior movimento. Agora, então, não sei como vai ser. Hoje mesmo ia sair à noite mas desisti.'' A arquiteta lembrou ainda que após a tragédia na Espanha todos sabiam que Londres poderia ser o próximo alvo, mas com o tempo, as pessoas ficam mais relaxadas. ''Justamente quando ninguém mais esperava, aconteceu.''
Renata mora na região sudoeste de Londres, longe da região onde explodiram as bombas, que é mais central. Mesmo assim, ontem, cerca de dez horas depois do atentado, ela afirmou estar muito assustada. ''A sensação de insegurança está na cidade toda. No começou ninguém tinha certeza do que tinha acontecido. As primeiras notícias falavam em explosão elétrica ou explosão causada por vazamento de gás. Quando soubemos que se tratava de uma série de explosões, veio uma sensação de choque'', relatou.
Silvia Rossato Cirillo, estudante de pedagogia em Londrina, chegou anteontem em Londres para estudar inglês por um mês. No seu primeiro dia na capital inglesa ela não pôde sair de casa por causa dos atentados. ''Sei o que está acontecendo pelo que vi na televisão. Não me assustou. Por enquanto estou tranquila. Ainda mais porque estou em um bairro afastado do centro.'' Silvia contou que a irmã trabalha no centro e já tinha tido notícias dela. ''Mas ainda não pudemos conversar para saber exatamente o que aconteceu e como estão as coisas por lá'', disse ontem, no meio da tarde. (Colaborou Andréa Bordinhão)

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