Londrinense hospedou premier na década de 50
Silvana Leão
De Londrina
Entre os japoneses que se entristecem com o grave estado de saúde do primeiro-ministro japonês Keizo Obuchi, está Yasue Suzuki, de 89 anos, que mora em Londrina. Na década de 50, ela o hospedou em sua casa, durante visita do então estudante à cidade. Yasue, que no Brasil adotou o nome Alice, não se lembra mais quanto tempo Obuchi permaneceu em sua casa, e nem em que ano isto aconteceu, mas nunca deixou de acompanhar de longe sua carreira política através de recortes de jornal. Ontem ela não escondia a tristeza pelo estado do primeiro-ministro.
Ele é tão novo, quem poderia imaginar?, indagava. Obuchi foi um dos vários jovens japoneses que se hospedaram na residência de Alice Suzuki, na época moradora da Rua Santos (área central). Meu marido também veio para o Brasil sozinho, não tinha parentes aqui, por isso costumava ajudar os estudantes. Ela calcula que, na época, o primeiro-ministro tinha entre 18 e 20 anos.
Há dois anos, durante os festejos dos 90 anos da imigração japonesa, em Rolândia (25 quilômetros a oeste de Londrina), Alice encontrou-se com o ex-hóspede, e teve uma grata surpresa: Ele não esqueceu de mim. Fiquei tão contente... Senti como se estivesse me encontrando com um filho. Na época, Obuchi lhe enviou alguns presentes, que ela guarda com carinho especial. São papéis de carta, um relógio e uma caixa que veio do outro lado do mundo cheia de doces.
Outra lembrança de Keizo Obuchi é uma toalha de banho, utilizada por ele quando da visita à casa da família Suzuki. Ele a esqueceu molhada, pendurada no varal. Não tinha como entregar, então guardei, contou Alice, com a peça nas mãos. Ela garantiu que, se o primeiro-ministro estivesse mais perto, iria visitá-lo.





