O adolescente londrinense Felipe Costa do Carmo, de 15 anos, teve que fazer uso da insulina apenas um mês após descobrir que era portador do diabetes tipo 1, em maio deste ano. Graças a uma pesquisa que vem sendo desenvolvida no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, sob coordenação do médico Júlio Cesar Voltarelli, Felipe recuperou a qualidade de vida e, ao que tudo indica, afastou o fantasma do uso do medicamento para o resto da vida.
Ele foi o primeiro paciente do Paraná e o 16º do Brasil a submeter-se ao transplante de célula-tronco para tratamento da doença. A mãe do adolescente, Maristela Costa Bandeira, explica que os melhores resultados da técnica têm sido obtidos nos casos em que o transplante é feito até seis semanas após o diagnóstico da doença. No caso de Felipe, o diabetes foi identificado em maio e em junho a família já estava de malas prontas para o interior de São Paulo. ''O médico dele (Otton Luiz Ruffo) mencionou o estudo e nós fomos nos informar. Fizemos o contato através de uns conhecidos que moram em Ribeirão e pela internet.''
Basicamente, o diabetes tipo 1 cria anticorpos que atacam o pâncreas e destroem as células que produzem a insulina no organismo. O tratamento deve começar o mais rápido possível para que estas células não sejam totalmente destruídas.
''Numa primeira fase do tratamento, o Felipe foi submetido à quimioterapia e à coleta de células-tronco, que foram congeladas. Depois de um intervalo de 10 dias ele fez nova quimioterapia para zerar sua imunidade e recebeu de volta as células-tronco, para que o organismo pudesse 'refazer' sua imunidade'', detalha Maristela. Ao terminar o procedimento, o adolescente já não precisava da insulina.
Atualmente os únicos cuidados que Felipe não pode abrir mão são o controle de glicemia, que deve ser feito duas vezes por dia, e a dieta com ausência de açúcar. ''Mas acho que só uma questão de tempo. Os médicos ainda não podem garantir que o transplante implique na cura total, mas os resultados até agora têm sido bons, e no meu coração ele está curado. Foi uma graça de Deus'', define a mãe, que ressalta a importância do filho ter de volta uma vida sem tantas privações e estar livre das consequências que a doença pode trazer, entre elas a cegueira.

Serviço: Mais informações sobre o estudo realizado pela USP/ Ribeirão Preto podem ser obtidas pelo fone (16) 3602-1000.

mockup