São Paulo - O governo britânico convocou ontem o mais alto diplomata da Argentina em Londres para pedir explicações depois que Buenos Aires sugeriu que empresas argentinas boicotem produtos britânicos, em mais um capítulo da disputa entre os dois países pelas Ilhas Malvinas.
No protocolo diplomático, o gesto de convocar um diplomata é uma séria demonstração de insatisfação de um país com outro. ''Deixamos claro que tais ações contra atividades comerciais legítimas preocupam não apenas o Reino Unido, mas a União Europeia como um todo, e que esperamos que a UE apresente preocupações semelhantes com as autoridades argentinas'', disse a Chancelaria britânica após encontro com o encarregado de negócios Osvaldo Mársico -a Argentina não tem um embaixador no Reino Unido desde 2008.
Londres pediu que o diplomata ''transmita a Buenos Aires um pedido de clarificação urgente''.
A decisão se deu após a ministra da Indústria argentina, Déborah Giorgi, ter instado cerca de 20 empresários a substituir importações britânicas por produtos de outros países.
Na terça-feira, dois navios de cruzeiro britânicos que haviam visitado as Malvinas tiveram permissão negada para aportar em Ushuaia, na Patagônia argentina.
As tensões entre os dois têm aumentado ao passo que se aproxima o aniversário de 30 anos da guerra detonada quando a Argentina invadiu as ilhas. Um porta-voz do premiê David Cameron disse que a sugestão de boicote era ''contraproducente''.
''O Reino Unido é o sexto investidor na Argentina e importamos de lá mais do que exportamos. Não é do interesse da Argentina criar barreiras'', disse um porta-voz da Chancelaria britânica.
A União Europeia, por sua vez, anunciou ontem que dará os passos ''diplomáticos apropriados'' para tentar resolver a disputa comercial entre Argentina e Grã-Bretanha.
''A União Europeia iniciará os procedimentos diplomáticos apropriados com o objetivo de esclarecer as legítimas preocupações comerciais'', disse o porta-voz da Comissão Europeia para questões comerciais, John Clancy.

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