São Paulo- Eleito à presidência de Honduras no dia 29 de novembro, o conservador Porfirio Lobo tomou posse ontem, abrindo caminho para a saída do país de Manuel Zelaya, deposto em junho passado por um golpe de Estado e refugiado há quatro meses na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
Antes de prestar juramento, Lobo prometeu conceder a Zelaya e sua família ''um salvo-conduto'' para a República Dominicana, para onde viajará na qualidade de convidado do presidente Leonel Fernandez.
Lobo também anunciou que acompanhará o presidente deposto da embaixada ao aeroporto de Tegucigalpa.
Eleito por quatro anos, Porfirio Lobo, 62 anos, oriundo da oligarquia de pecuaristas que domina Honduras há anos, deverá restabelecer o reconhecimento internacional do país, perdido pelo governo de fato de Roberto Micheletti, responsável pela destituição de Zelaya no dia 28 de junho do ano passado.
Lobo anunciou a intenção de formar um governo de união e exaltou em seu primeiro discurso a anistia ''política'' votada ontem à noite pelo Congresso para todos os envolvidos no golpe de Estado. ''É o princípio da reconciliação'', declarou.
A anistia inclui Zelaya, acusado até então de traição pela Suprema Corte. No entanto, o presidente deposto ainda poderá ser julgado por delitos econômicos.
A saída de Micheletti, que não assistiu à cerimônia de posse, também deve contribuir para a reabilitação internacional do país.
Lobo tem o apoio dos Estados Unidos, que não deverão demorar para restabelecer sua ajuda econômica, considerada crucial para um dos países mais pobres da América Central. Washington cortou a maior parte desta ajuda depois do golpe de Estado.

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