Livro revelou crimes da ditadura
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de janeiro de 2001
France Press De Santiago do Chile 
Sem a jornalista Patricia Verdugo e suas tenazes e rigorosas investigações, a verdade sobre a macabra Caravana da Morte talvez jamais tivesse sido revelada e provavelmente o general Augusto Pinochet nunca tivesse sido processado e detido. Em seu livro Los Zarpazos del Puma, a jornalista reconstruiu os passos da Caravana da Morte, uma comitiva militar que percorreu várias cidades num helicóptero Puma e fuzilou 75 presos políticos em outubro de 1973, um mês depois do golpe que levou ao poder por 17 anos o general Pinochet.
Com 140.000 exemplares vendidos em 1989 e outros 500.000 que circularam em edições piratas, o livro-reportagem estabelece que Pinochet, em sua condição de presidente do regime militar e chefe do Exército, ordenou a missão secreta da comitiva.
Nós jornalistas colaboramos com as investigações que estão permitindo aos juízes recompor a verdade e fazer justiça, destaca Verdugo, ao evocar o papel de alguns colegas que tentaram driblar as barreiras da censura com livros como El Día en que Murió Allende, de Ignacio González Camus; Historia Oculta del Régimen Militar, de Ascanio Cavallo; Miedo en Chile, de Patricia Politzer, ou Bomba en una Calle de Palermo, de Mónica González.
Este é um momento em que o jornalismo nacional deve sentir-se orgulhoso, disse a jornalista em agosto passado, depois de conhecer a decisão judicial de suspender a imunidade do ex-ditador, graças à qual Pinochet ficou ao alcance do juiz Juan Guzmán Tapia.


