Livro resgata agonia das Torres Gêmeas
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sábado, 10 de setembro de 2005
Fred Melo Paiva<br> Agência Estado 
São Paulo - Há exatamente quatro anos, o vôo 11 da American Airlines chocou-se contra a Torre Norte do World Trade Center. Eram 8h46 da manhã e, conforme nos explicam os repórteres Kevin Flynn e Jim Dwyer, a senhora Dianne tinha acabado de trocar os tênis por sapatos mais elegantes, com os quais ficaria até o final do expediente. Isso se tivesse tido final de expediente.
Entre 8h46 e 10h28, o WTC desmoronou. ''102 Minutos - A História Inédita da Luta pela Vida nas Torres Gêmeas'' (Jorge Zahar Editor) mostra como reagiram as pessoas que se encontravam no interior dos prédios. Cerca de 12 mil - quase todas as que estavam abaixo dos andares atingidos pelos aviões - conseguiram sair; 2.749 morreram. Para Flynn, foram vítimas não apenas dos terroristas da Al-Qaeda. O livro, best-seller nos EUA, vai virar filme.
''102 Minutos'' é a tentativa de fazer uma ampla reportagem sobre o que aconteceu às pessoas que estavam dentro dos prédios - uma reportagem a partir da perspectiva dessas pessoas, o que não havia sido completamente abordado. Muito do que aconteceu nos andares acima de onde ocorreram as colisões - no espaço de tempo entre o choque do primeiro avião e o desmoronamento da segunda torre - era realmente um mistério para quem estava fora dos prédios. Tínhamos o relato daqueles que sobreviveram. Mas não pensávamos que poderia haver tantos depoimentos dos que ficaram presos e morreram.
A única visão que muitos de nós tínhamos era das pessoas na janela. No entanto, vários familiares das vítimas e também outras pessoas mantiveram conversações naquela manhã com os que ocupavam os andares superiores. A expectativa do livro era tomar o depoimento dessas pessoas que guardaram gravações de telefonemas ou os tinham na memória - e depois usar esses dados para reconstruir o que realmente aconteceu dentro dos prédios. Criamos um banco de dados onde inseríamos as entrevistas de acordo com a localização das pessoas dentro do WTC - assim, a partir de quatro ou cinco relatos de gente que estava em determinado andar, poderíamos ter uma noção do que ocorreu naquele ambiente específico. Quando fizemos isso, começamos realmente a entender o que tinha se passado lá dentro.
Pudemos aprender alguns novos detalhes sobre aquele dia. Um exemplo disso foram as equipes de civis, funcionários dos escritórios do WTC, que se organizaram para resgatar outras pessoas - sabiam que os bombeiros estavam vários andares abaixo e ainda teriam uma longa caminhada até lá. Uma dessas equipes foi liderada por um sujeito chamado Frank de Martini. Resgataram cerca de 70 pessoas.
Também não tínhamos entendido ainda como o saguão do shopping havia sido importante para salvar vidas. Esse espaço se tornou um túnel subterrâneo livre da calamidade de todo o resto. Sem ele, várias pessoas teriam morrido porque seriam obrigadas a esperar para sair pelo nível da rua, onde havia fogo e escombros que caíam. O atraso na evacuação faria com que muita gente ainda estivesse nas escadas quando as torres desabaram.
Os próprios prédios transformaram-se em armas mortais. Os sequestradores dos aviões não tinham previsto o desmoronamento total das torres. Se elas tivessem se mantido de pé por mais tempo, obviamente que os esforços para salvar as pessoas nos andares superiores continuariam. Talvez o fogo pudesse ter sido mais controlado e mais gente conseguisse escapar.


