Lista de tripulantes foi vendida à imprensa por oficial da Marinha
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Associated Press De Moscou 
Enquanto o comando naval luta contra o tempo para resgatar os tripulantes do Kursk, a imprensa russa trava uma guerra diária para conquistar os leitores. A última batalha foi vencida ontem pelo diário Komsomolskaya Pravda com a publicação, em primeira mão, da lista dos 118 marinheiros e oficiais a bordo da nave, até então não divulgada pela Marinha.
A manchete do jornal não era a lista em si, mas o suborno pago a um alto oficial naval para obtê-la: Dezoito mil rublos pelos nomes dos tripulantes do Kursk. O valor equivale a US$ 645. A Marinha garante ter informado todos os parentes; por isso, alega não haver motivo para divulgar os nomes à imprensa.
Apesar de os jornais, o rádio e a TV apresentarem muita especulação, a população acompanha com avidez os acontecimentos. Na falta de dados precisos, os diários publicam todas as teorias que surgem sobre as causas do acidente, quanto tempo de vida restaria aos tripulantes e se há chance de encontrar sobreviventes.
A preocupação com a vida dos marinheiros e oficiais do Kursk supera a demonstrada por qualquer outra calamidade recente no país, incluindo a guerra na Chechênia. Repórteres do rádio e da TV lêem boletins atualizados de hora em hora. Todo o país está perturbado. É terrível imaginar alguém morrendo dessa forma, disse o vigilante de um prédio moscovita Vladimir Solyunov.
Vários jornalistas russos estão comparando a atitude das autoridades com a que foi tomada no caso da explosão do reator nuclear de Chernobyl, em 1986. Na época, o regime soviético fez de tudo para esconder o alcance do desastre. A tragédia do Kursk não tem a dimensão da de Chernobyl, mas as autoridades estão sendo acusadas pela imprensa de esconder informações e divulgar dados falsos deliberadamente.


