Lino Oviedo vai pedir asilo ao Brasil
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segunda-feira, 12 de junho de 2000
Agência Estado De Brasília 
Sem algemas, sorridente e acenando para os fotógrafos como se estivesse em campanha eleitoral, o ex-general paraguaio Lino Cesar Oviedo chegou anteontem às 10h08 a Brasília a bordo de um jatinho da Polícia Federal. Oviedo, que também está usando bigode e cabelo pintado, foi preso no domingo em Foz do Iguaçu por agentes da PF.
O advogado do ex-general, Inemar Pena Marinho, afirmou que pretende entrar com pedido de habeas-corpus e de asilo político em favor de Oviedo no Supremo Tribunal Federal (STF).
A detenção do ex-general foi determinada pelo ministro do STF, Maurício Correa, acatando pedido de prisão perventiva para efeitos de extradição feito pelo governo paraguaio. Ele ficará preso na PF até o STF julgar o mérito do pedido de extradição, feito pelo governo do Paraguai. As autoridades paraguaias têm um prazo de 60 dias para confirmar e consumar a extradição de Oviedo.
Escoltado por agentes do Comando de Operações Táticas (COT), grupo de elite da PF, Lino Oviedo foi recolhido à superintendência da PF em Brasília, onde ficou na mesma cela ocupada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (AC). Outros três presos estão dividindo a cela com o ex-general.
Oviedo, principal protagonista do golpe que derrubou o ditador Alfredo Stroessner, em 1989, após 35 anos de poder, e também acusado pelo assassinato do vice-presidente do Paraguai, Luís Maria Argaña (pai do atual ministro da Defesa, Nélson Aragaña), não falou com a imprensa.
Ao ser preso em Foz, Oviedo portava documentos falsos em nome de Emílio Franco Villarreal, também de nacionalidade paraguaia. O ex-general queria utilizar telefone celular na prisão, mas a PF negou o pedido de seu advogado.
Segundo a PF, os celulares em poder do militar tanto pegavam os sinais do lado brasileiro como os do lado paraguaio.
O advogado Inemar Marinho questiona a acusação de que o ex-general estivesse usando documentos falsos e portando armas ilegalmente. As acusações são improcendentes, disse. Marinho afirmou ainda que Oviedo como ex-militar pode utilizar armas, uma vez que estaria com sua integridade física ameaçada. - Oviedo é acusado, no Paraguai, de homícidio doloso qualificado, lesão corporal grave, organização criminal e tentativa de golpe no Paraguai.
Marinho, que conversou com Oviedo por mais de meia hora, disse que o ex-general lhe confidenciou ter medo de ser morto no Paraguai, caso seja extraditado. Oviedo teria afirmado, segundo o advogado, que também não confia na Justiça paraguaia. Ele (Oviedo) prefere ficar no Brasil, disse.
O grupo de advogados é formado por Inemar Marinho, Joaquim e Adail Alves Bastos. É o mesmo que defendeu o economista José Carlos Alves dos Santos, diretor-geral da Comissão Mista de Orçamento, acusado de desviar verbas públicas.
A defesa de Oviedo foi contratada por membros do Partido Colorado, ao qual o ex-general é filiado. O paraguaio Simeone Ramírez, militante do partido e sogro de Inemar Marinho, recorreu aos advogados de Brasília para defender Oviedo. O ex-general recebeu anteontem a visita de Roque de Oliveira, primo seu que mora no Brasil.


