Lino Oviedo será transferido para o sul da Argentina
Ariel Palácios
Agência Estado - De Buenos Aires
A sóbria e áspera paisagem patagônica será alterada nos próximos dias pela chegada do ex-general golpista paraguaio Lino César Oviedo. O governo argentino decidiu que Oviedo, que está asilado no país desde o 29 de março será removido de sua chácara na cidade de Moreno, na Grande Buenos Aires, para uma fazenda próximo à cidade mais ao sul no mundo, Ushuaia (pronuncia-se Uçuáia), capital da Terra do Fogo. Ushuaia foi até a segunda década do século o destino de prisioneiros políticos ou de trabalhos forçados, mas hoje dedica-se à criação de ovelhas e ao turismo.
O motivo da remoção foi a constante atividade política que o ex-militar mantinha com centenas de aliados políticos paraguaios com a intenção de promover seu retorno ao país para uma reconquista do poder. A gota dágua foi uma entrevista ao jornal La Nación, onde Oviedo sustentou que pretendia voltar ao Paraguai, ter um julgamento onde o Mercosul seria o avalista e que depois participaria de eleições, as quais afirmou que venceria amplamente.
O ex-militar está asilado na Argentina desde março, quando fugiu do Paraguai por ser acusado de ter mandado assassinar o vice-presidente Luis María Argaña. Neste país, a amizade com o presidente Carlos Menem e os malabarismos da Justiça local para fugir aos pedidos de extradição feitos pelo governo paraguaio o salvaram de ser enviado de volta.
A presença de Oviedo no país causou o estremecimento das relações entre os dois países, e a convocação dos respectivos embaixadores.
Oviedo foi informado de seu traslado ao sul pelo secretário de Segurança, Miguel Ángel Toma. Ao sair da reunião, sorrindo, Oviedo não fez declarações. Toma afirmou que o prazo da remoção do ex-general ainda não está confirmado. O ministro do Interior, Carlos Corach, declarou que com esta decisão mantemos o compromisso com o direito de asilo, e também de impedir que o asilado viole as disposições desse direito.





