Lino Oviedo retorna ao Paraguai e é preso
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terça-feira, 29 de junho de 2004
France Presse 
Assunção - O líder da oposição paraguaia, Lino Oviedo voltou ontem a Assunção, capital do Paraguai, após cinco anos de exílio, sendo preso ao descer do avião procedente da cidade brasileira de Foz do Iguaçu.
Em meio a um impressionante dispositivo de segurança no aeroporto internacional de Assunção e arredores, o general e presidente do Partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace) foi levado de helicóptero da Força Aérea a uma prisão da cidade vizinha de ViÀas Cué. Lá, deverá cumprir pena de 10 anos de prisão, segundo o Governo, por tentativa de golpe de Estado, em 1996, durante o mandato do presidente Juan Carlos Wasmosy (1993/98).
Oviedo também é acusado da morte do vice-presidente Luiz ArgaÀa, vítima de um atentado no dia 23 de março de 1999, e da morte, três dias mais tarde, de manifestantes antigovernistas na praça do Congresso.
O Governo o acusa também de outra tentativa de golpe, em maio 2000, quando estava no exílio. ''Venho a minha pátria para provar minha inocência'', disse Oviedo antes de ser preso.
''Em meu país há um presidente eleito democraticamente (Nicanor Duarte) e um Poder Judiciário 70% renovado. Os governantes democráticos devem ficar contentes quando os cidadãos exilados da pátria voltam'', destacou.
Centenas de seguidores do político saíram às ruas para comemorar a volta do líder, empunhando cartazes e retratos do ex-chefe do Exército e ex-candidato presidencial em 1998.
Outros seguidores do político se aglomeraram no limite de dois quilômetros estabelecido pela polícia, que isolou o aeroporto internacional desde domingo passado.
Oviedo chegou à capital acompanhado de políticos de Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai e, pelo menos, cinquenta jornalistas da imprensa local e internacional, segundo o senador Alejandro Velázquez, atual presidente da Comissão de Assuntos Exteriores do Senado.
Um promotor uruguaio deverá ouviria Oviedo na tarde de ontem sobre a acusação de tentativa de golpe, em maio de 2000. A chegada de Oviedo coincide com uma grave deterioração social no Paraguai, um país que registra uma taxa de desemprego de 16%, e de subemprego da ordem de 15%, em meio a reiteradas acusações de corrupção política.


