Lino Oviedo quer ser eleito para revogar condenação
Lino Oviedo quer
ser eleito para
revogar condenação
Valmir Denardin
A estratégia do general Lino Oviedo para chegar ao Palácio de López é disputar a eleição mesmo na prisão e, em 15 de agosto, já eleito, usar a influência do cargo para revogar uma eventual condenação. Assim, ele poderia assumir, de fato, o poder. A revelação foi feita à Folha por Alejandro Velásques, candidato a senador pelo Partido Colorado e porta-voz de Oviedo.
O general está preso desde dezembro na 1ª Divisão de Infantaria, em Assunção. Ocupa um pequeno quarto com banheiro. O governo proibiu seu contato com jornalistas. Podem visitá-lo apenas a mulher, Raquel Marin de Oviedo, os seis filhos e dois de seus sete advogados.
Folha - Como o general Oviedo está avaliando a proposta do Partido Colorado de adiamento das eleições?
Alejandro Velásques - Não é o Partido Colorado que está propondo isso, mas somente uma pequena cúpula, um grupo menor, que perdeu a eleição (interna) de 7 de setembro. Nesse grupo estão o presidente Wasmosy e três ou quatro generais, que não representam as Forças Armadas.
Folha - E qual seria o resultado desse adiamento?
Velásques - Eles querem dar um golpe de Estado para manter Wasmosy no poder. O grupo do presidente já tentou um autogolpe e agora questiona a transparência das eleições internas.
Folha - O setor colorado ligado ao presidente acusa que houve fraude na eleição interna em favor de Oviedo...
Velásques - O próprio Wasmosy disse, em uma recente reunião do Mercosul, que as eleições internas foram as mais limpas e transparentes já realizadas. Como pode ter havido fraude em nosso favor se 95% dos delegados eleitorais eram de Arga¤a (Luis Maria Arga¤a, presidente do partido e um dos dois candidatos colorados derrotados por Oviedo)? Eles, sim, promoveram fraudes: atrasaram a entrega de documentos e falsificaram atas.
Folha - Oviedo admite a possibilidade de condenação pelo Tribunal Militar Extraordinário?
Velásques - Não há nenhuma possibilidade de condenação. O tribunal militar é ilegal. Ele está sendo julgado duas vezes pelo mesmo motivo. No ano passado, a Corte Suprema de Justiça decidiu por unanimidade que ele deveria ser julgado pela Justiça Comum. Nem o nazismo e nem a ditadura de Stálin julgaram a mesma pessoa duas vezes por um único crime. Já estamos entrando com pedido de inconstitucionalidade contra esse julgamento.
Folha - Oviedo é um preso político?
Velásques - É um preso e um sequestrado político.
Folha - Ele é o candidato colorado para as eleições de 10 de maio?
Velásques - É o candidato do partido. Vai concorrer, livre ou preso. Vai ganhar e assumir em 15 de agosto. Temos pesquisas que indicam que ele está 22 pontos acima do adversário.
Folha - Mas se Oviedo for condenado, como vai assumir?
Velásques - Aí Wasmosy não estará mais no poder e a libertação dele será uma questão resolvida.
Folha - Se o general chegar ao poder, qual será sua maior meta?
Velásques - Ele vai reativar o combate à corrupção, à impunidade, ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e à pirataria. O atual governo está totalmente envolvido na corrupção.NÚMEROS
ÁREA: 406,7 mil km2 (duas vezes o tamanho do Paraná)
POPULAÇÃO: 5,1 milhões
CAPITAL: Assunção (502 mil habitantes)
PRODUTO INTERNO BRUTO: US$ 7,75 bilhões (cerca de 1% do PIB brasileiro)
RENDA PER CAPITA: US$ 1.690
MORTALIDADE INFANTIL: 41 por mil nascimentos
ANALFABETISMO: 7,9%
Fonte: Almanaque Abril 1998





