Lino Oviedo pode voltar
ao Paraguai, diz jornal
Dow Jones
De Montevidéu
O ex-general paraguaio Lino Oviedo pode renunciar à sua condição de exilado na Argentina e regressar ao Paraguai para se submeter aos tribunais. A revelação foi feita na edição de ontem do jornal uruguaio ‘‘La República’’. O jornal informa que a inesperada decisão de Oviedo surpreendeu até seus assessores na Argentina e Uruguai. O jornal cita fontes ligadas ao militar.
As informações do ‘‘La República’’ foram confirmadas pelo ex-deputado e diplomata paraguaio, Carlos Galeano Perrone, que vive em Montevidéu, em declarações a uma emissora de TV local. Oviedo, asilado na Argentina, é processado no Paraguai acusado de ser o autor intelectual da morte do vice-presidente Luis Argaña, que provocou uma crise institucional no Paraguai que redundou na queda, em 28 de março, do presidente Raúl Cubas, exilado atualmente no Brasil.
Na semana passada o governo do presidente Carlos Menem se negou a extraditar o ex-general paraguaio, o que desatou uma crise entre os dois países. Segundo o ‘‘La República’’, Oviedo deve pedir também ao governo do seu país que solicite a extradição do ex-presidente Cubas e do ex-ditador Alfredo Stroessner, também vivendo no Brasil. Segundo o jornal uruguaio, ele também deve pedir ao povo paraguaio ‘‘garantias para sua segurança pessoal’’ e aos governos do Mercosul ‘‘que lhe apliquem um processo justo’’.
As relações entre os governos argentino e paraguaio continuam tensas. O ministro do Interior da Argentina, Carlos Corach, pediu ontem uma reparação a Assunção por causa da ofensa que funcionários do governo paraguaio fizeram ao presidente Menem. O governo paraguaio não vai pedir desculpas, pois entende que os insultos foram recíprocos.
Para o candidato às eleições presidenciais argentinas, Fernando de la Rúa (Aliança), a presença de Oviedo no país ‘‘é um fator que gera conflito para dentro do Mercosul’’. Para De la Rúa, o pedido paraguaio de extradição deve ser tratado pela Justiça.

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