O general da reserva Lino Oviedo passou a noite de quarta-feira no quartel da Guarda Presidencial - uma unidade do Exército -, onde permanecia até o fim da noite de ontem.
Em declarações à imprensa paraguaia, o recém-empossado ministro do Interior paraguaio, Carlos Cubas, irmão do presidente, disse que as palavras ditas pelo general na véspera, segundo as quais não estava detido, ‘‘não correspondem à realidade oficial’’.
Oviedo alegara ter-se apresentado apenas para esclarecer sua situação jurídica.
O general foi sentenciado em 1997, por um tribunal militar, a 10 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado do ano anterior, contra o então presidente, Juan Carlos Wasmosy.
A condenação impediu que ele concorresse à presidência, no ano seguinte, pelo Partido Colorado, liderando uma chapa que tinha Raul Cubas como candidato a vice. Isso fez com que Cubas e Luis María Arga¤a, inimigos declarados, formassem uma chapa alternativa.
Eleito, Cubas emitiu um decreto comutando a pena de seu padrinho político num de seus primeiros atos depois da posse. O decreto foi considerado inconstitucional pela Corte Suprema de Justiça, mas Cubas recusou-se a cumprir uma ordem judicial para devolver o general à prisão, sujeitando-se ao impeachment.
Antes de ser assassinado por três ou quatro pistoleiros uniformizados numa rua de Assunção, Arga¤a vinha articulando apoio para aprovar a abertura do processo de impeachment na Câmara de Deputados - aprovada na madrugada de quarta-feira, horas depois do crime.
As dúvidas sobre a situação do ex-general Oviedo dificilmente poderão ser respondidas rapidamente. Primeiro será necessária a solução para a crise que envolve o presidente Cubas. Se ele conseguir evitar o impeachment, Oviedo talvez ainda se salve. Caso contrário, deve voltar à prisão para cumprir a pena a que foi condenado, de 10 anos, e que o impediu de concorrer à presidência.

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