A Corte Suprema de Israel começou a examinar ontem uma solicitação do principal partido da oposição, o Likud (direita), para submeter a votação hoje um projeto de lei de eleições antecipadas.
A Corte deve decidir se esse projeto de lei precisa obter apenas uma maioria simples ou a maioria absoluta de 61 votos sobre os 120 da Knesset (Parlamento) para ser aprovado em primeira leitura.
Barak, que tenta formar um governo de emergência com o Likud para enfrentar a onda de violência nos territórios palestino, é contrário a eleições antecipadas.
Entretanto, o primeiro-ministro não dispõe mais de maioria parlamentar, desde a saída em julho de três partidos do gabinete governamental, denunciando suas concessões aos palestinos.
Segundo fontes, Barak e o ex-primeiro-ministro Shimon Peres travaram uma discussão marcada pelo ressentimento depois de o atual premier ter criticado as ‘‘manobras’’ de ministros, que não foram citados nominalmente, para uma reunião com o líder palestino Yasser Arafat, dando assim a impressão, na opinião de Barak, que o ‘‘Estado está em liquidação’’.
A oposição, liderada por Ariel Sharon, parece decidida a pedir ao Parlamento que vote hoje a antecipação das eleições e está convencida de que a proposta obterá maioria absoluta dos votos, mesmo que seja necessária apenas a maioria relativa. Para ser transformado em lei, o projeto terá de ser apresentado e votado em segundo e terceiro turnos.
No entanto, o Parlamento aprovou por grande maioria – 84 votos de 120 – a ‘‘lei fundamental’’ proposta pelos direitistas, segundo a qual só uma maioria absoluta do Knesset poderá autorizar modificações no status de Jerusalém e de suas fronteiras municipais.
Enquanto isso, nos territórios palestinos – onde cinco ativistas islâmicos foram mortos durante a madrugada por militares israelenses – era iniciado o sagrado mês muçulmano do Ramadã com um pedido de mais violência contra Israel lançada pelos movimentos Hamas e Al Fatah.
No islamismo, um muçulmano morto em batalha contra um ‘‘infiel’’ no mês do Ramadã goza de uma distinção particular no paraíso. O Hamas, após denunciar o assassinato de cinco ‘‘ativistas políticos’’ de sua organização nas proximidade de Qalqilya, na Cisjordânia, informou que eles serão vingados.
Um comando do Exército israelense matou, em emboscada na madrugada de ontem, cinco palestinos que viajavam num automóvel perto de um assentamento judaico na Cisjordânia.
Os militares israelenses qualificaram as vítimas como ‘‘terroristas’’ do Hamas que abriram fogo contra o assentamento de Alfei Manashe, próximo à cidade de Qalqilya, controlada pela Autoridade Palestina (AP).
Logo após o incidente, uma ambulância da Cruz Vermelha tentou chegar ao local, mas não obteve permissão do Exército israelense. Os corpos permaneceram pelo menos cinco horas estirados no solo antes que a polícia palestina recebesse autorização para recolhê-los. Perto deles havia uma arma de fogo de fabricação caseira.

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