Ligação maritima China-Taiwan
China e Taiwan fizeram um gesto sem precedente ao inaugurar ontem sua primeira ligação marítima direta, com três navios taiwaneses de passageiros que viajaram para o Sudeste da China, pondo fim à proibição que durava desde 1949. Procedentes de Kinmen e Matsu, as duas pequenas ilhas que originaram a grave crise entre a China e a ilha nacionalista no final dos anos 50 e início dos 60, três navios que transportavam cerca de 700 pessoas alcançaram ontem as costas da província de Fujian, no Sudeste chinês.
Os navios Tai Wu e Wu Chiang, nos quais viajava uma delegação oficial taiwanesa, chegaram a Xiamen, na província de Fujian, após percorrer em duas horas os 41 km existentes entre esta cidade e o porto taiwanês de Kinmen.
Esta viagem não deve ajudar somente Kinmen e Xiamen, mas contribuir também para o estado geral das relações entre Taiwan e o continente, declarou pouco depois de sua chegada Chen Shui-tsai, o chefe da delegação taiwanesa, que é também o principal dirigente de Kinmen.
Um terceiro navio, o Taima, chegou quase ao mesmo tempo ao porto de Mawei, com 500 taoístas em peregrinação para a próxima cidade de Fuzhou, capital da província de Fujián.
Por enquanto, os contatos diretos, não somente quanto a transportes, mas também a comércio e relações postais, estarão limitados a Kinmen e Matsu e a duas cidades chinesas, a pedido de Taiwan.
Pequim só manifestou um discreto apoio á iniciativa, dando preferência ao estabelecimento imediato de ligações de maior amplitude. Mas a agência oficial Nova China, citando um alto dirigente, havia informado na semana passada que Pequim estava disposto a dar sua ajuda a essas ligações, enquanto acusava o presidente taiwanês, Chen Shui-bian, de falta de sinceridade em seus esforços de aproximação com Pequim.
A China considera Taiwan como uma província rebelde destinada a unir-se de novo à mãe pátria. Em 1949, quando temrinou a guerra civil na China, os comunistas chegaram ao poder em Pequim e as forças nacio nalistas fugiram para a ilha.
Taiwán, que rejeitava os contatos diretos por motivos de segurança, mudou subitamente de atitude em novembro passado ao autorizar as miniligações, embora sem consulta prévia a Pequim.





